Ibovespa inverte o sinal: o principal índice acionário da B3 recuava 0,55%, aos 196.653 pontos, com a maioria dos papéis de grandes empresas, as bluechips, em queda (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 16 de abril de 2026 às 12h03.
O Ibovespa perdeu fôlego ao longo da manhã desta quinta-feira, 16, e passou a operar em queda, após abrir as negociações em leve alta. Por volta das 12h, o principal índice acionário da B3 recuava 0,55%, aos 196.653 pontos, com a maioria dos papéis de grandes empresas, as bluechips, em queda.
No mercado de câmbio, o dólar também inverteu o sinal e passou a subir frente ao real. No mesmo horário, a moeda americana registrava leve alta de 0,25%, de volta ao patamar dea R$ 5,005, depois de ter recuado no início da semana para o patamar de R$ 4 pela primeira vez em mais de dois anos.
O comportamento dos ativos reflete a cautela dos investidores com o cenário externo. Os preços do petróleo avançam nesta manhã, em meio às incertezas geopolíticas. O barril do Brent, referência global, sobe 3,47%, a US$ 98,17, enquanto o WTI para junho avança 2,76%, a US$ 90,56.
Por conta da alta da commodity, as ações de petroleiras estão entre as únicas nove altas do dia, com destaque para Petrobras (PETR3 e PETR4), que avançam 3,34% e 2,92%, respectivamente. Por outro lado, a Vale (VALE3) recua 1,31%, assim como os papéis de grandes grupos, com exceção das ações do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) que sobem a0,33% e 0,48%, respectivamente.
No radar do mercado, seguem as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. Relatos indicam que os dois países consideram estender por mais duas semanas o cessar-fogo atual, que expira na próxima semana.
O governo de Donald Trump intensifica os esforços para um acordo mais amplo, embora a Casa Branca tenha negado um pedido formal de extensão da trégua. Paralelamente, mediadores paquistaneses discutem em Teerã propostas americanas, enquanto a China reforça a pressão internacional pela reabertura do Estreito de Ormuz.
Em outra frente geopolítica, Trump afirmou que líderes de Israel e do Líbano devem retomar o diálogo. Apesar de propostas de cessar-fogo no front libanês, o governo israelense mantém a posição de tratar separadamente os conflitos com o Líbano e o Irã, condicionando avanços a questões como o desarmamento do Hezbollah.
Os principais índices acionários dos Estados Unidos também inverteram o sinal. Os principais índices das bolsas de Nova York abriram em alta, com o S&P 500 renovando sua máxima histórica após dados de emprego melhores do que o esperado e com investidores focados no ambiente geopolítico, em meio a notícias de que os Estados Unidos e Irã consideram realizar uma nova rodada de negociações.
Mas, praticamente junto com o Ibovespa, as três principais bolsas de Nova York viraram para queda. Às 11h50, o Dow Jones registrava ligeira queda de 0,12%, enquanto o S&P estava estável, assim como a Nasdaq, que recuava 0,02%.
No cenário doméstico, os investidores repercutem a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O indicador, divulgado pelo Banco Central do Brasil, subiu 0,6% em fevereiro na comparação com janeiro, em dado com ajuste sazonal, levemente acima das expectativas do mercado.
"Embora tenha sido um pouco acima do esperado, está em linha com essa expectativa que existe de que o primeiro trimestre do ano deve ser de fato o mais forte e depois se aprendendo força gradualmente. Olhando na comparação trimestral, você tem uma alta de 1,1% e claro que ainda falta um mês de março, mas provavelmente podendo fechar o crescimento do PIB ainda acima de 1% na comparação trimestral", diz Patrícia Krause economista chefe Latin América da Coface.
Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de seguro-desemprego também estão no radar. Foram registrados 207 mil pedidos na semana encerrada em 11 de abril, queda de 11 mil em relação à semana anterior e abaixo da expectativa de 215 mil. A média móvel de quatro semanas ficou em 209,75 mil.
Já os pedidos continuados somaram 1,818 milhão na semana encerrada em 4 de abril, alta de 31 mil, enquanto a média móvel recuou para 1,813 milhão, segundo dados do Departamento do Trabalho. Os números reforçam a resiliência do mercado de trabalho americano, ainda que com sinais mistos na margem.