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Dólar fecha em queda de 0,77% após novo capítulo da guerra tarifária

Trump planeja aumentar as tarifas sobre importações estrangeiras de aço. Apesar disso, o real encontra limitações graças ao cenário fiscal doméstico

Nova ameaça: Trump disse que planeja aumentar as tarifas sobre importações estrangeiras de aço de 25% para 50% (Allison Robbert/AFP)

Nova ameaça: Trump disse que planeja aumentar as tarifas sobre importações estrangeiras de aço de 25% para 50% (Allison Robbert/AFP)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 2 de junho de 2025 às 17h18.

Última atualização em 2 de junho de 2025 às 17h40.

O dólar fechou em queda de 0,64% nesta segunda-feira, 2, cotado a R$ 5,675, depois de oscilar entre R$ 5,667 e R$ 5,710.

O mercado reage às novas ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano disse que planeja aumentar as tarifas sobre importações estrangeiras de aço de 25% para 50%, pressionando ainda mais os produtores globais de aço.

A medida, que entra em vigor em 4 de junho, foi apresentada durante um comício em Pittsburgh, sede histórica da siderurgia americana, e deve beneficiar empresas com produção local no país, como a Gerdau.

“A retomada do discurso protecionista por parte do governo americano, com ameaças de elevação de tarifas sobre aço e alumínio, reflete uma sessão marcada pela aversão ao risco dos investidores direcionada principalmente aos rendimentos dos títulos do Tesouro americanos e a fraqueza do dólar", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

O especialista cita também a valorização do petróleo diante das incertezas geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, que contribui para o fluxo positivo em direção a mercados emergentes, especialmente o real.

Apesar disso, a moeda brasileira ainda encontra limitações impostas pelo cenário fiscal doméstico. "O impasse em torno do aumento do IOF, a ausência de medidas claras de contenção de gastos e o desconforto com o viés expansionista da política fiscal em ano pré-eleitoral mantém o risco Brasil em evidência", finaliza Shahini.

O índice do dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, caía 0,67%.

Até onde vai a queda do dólar?

Analistas do Morgan Stanley projetam que a moeda americana deve cair cerca de 9% até meados de 2026, atingindo níveis que não eram vistos desde a pandemia de covid-19. O banco estima que o DXY pode recuar para 91% até o meio do próximo ano.

O DXY já caiu cerca de 10% desde o último pico em fevereiro. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que ainda há espaço para mais fraqueza, já que o pessimismo com o dólar ainda não atingiu os níveis máximos.

Com isso, ainda segundo os analistas, algumas moedas devem se fortalecer, especialmente o euro, o iene japonês e o franco suíço, vistos como opções mais seguras em tempos de incerteza.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é amplamente utilizado por empresas e instituições financeiras em operações de curto prazo, oferecendo uma cotação com base no valor real de mercado no momento da transação.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro é uma cotação projetada para contratos de compra e venda de dólares a serem liquidados em datas futuras. Esse tipo de dólar é negociado na Bolsa de Valores, permitindo que empresas e investidores se protejam contra a volatilidade cambial. A cotação do dólar futuro pode variar bastante, pois leva em consideração as expectativas do mercado sobre a economia.

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