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OpenAI quer transformar ChatGPT em agente pessoal; veja o que muda

Empresa prepara maior reformulação do chatbot desde 2022, de acordo com o Financial Times

OpenAI quer transformar ChatGPT em superapp que faz tudo por você (Canva Images)

OpenAI quer transformar ChatGPT em superapp que faz tudo por você (Canva Images)

Yasmim Faria
Yasmim Faria

Colaboradora

Publicado em 7 de junho de 2026 às 17h37.

Última atualização em 7 de junho de 2026 às 17h39.

Esqueça o chatbot que responde perguntas. Segundo o Financial Times, a OpenAI está preparando a maior reformulação do ChatGPT desde seu lançamento, em 2022, para transformá-lo em um "superaplicativo" que combine ferramentas de programação e agentes de IA.

"O chat está morto", disse um funcionário sênior da empresa ao jornal britânico. A frase resume bem a virada de estratégia: o futuro, na visão da OpenAI, não está em chatbots que respondem, mas que executam tarefas.

Não por coincidência, a mudança antecede a abertura na Bolsa (IPO) planejada para este ano.

Do chatbot ao agente pessoal

A reformulação dará maior destaque ao Codex, produto de programação da OpenAI que multiplicou sua base de usuários por seis desde o lançamento do aplicativo desktop em fevereiro, chegando a mais de 5 milhões de usuários ativos semanais.

A empresa está implementando mudanças, que incluem agentes de IA capazes de realizar múltiplas tarefas para os usuários, desde reservas de viagens até a organização de calendários, pois acredita que será um produto mais valioso do que o chatbot.

A interface do ChatGPT será redesenhada para direcionar os usuários a ferramentas de programação, geração de imagens e aplicativos de parceiros como Canva e Booking.com.

No longo prazo, a empresa quer ir além dos menus e atalhos. A aposta é que os modelos passem a entender automaticamente a intenção do usuário — sem que ele precise navegar por opções.

"Isso transcenderá a superfície", disse Thibault Sottiaux, que agora lidera todos os principais produtos e plataformas da OpenAI. "O que estamos construindo é um sistema em que você terá seu próprio agente pessoal capaz de ajudá-lo em todos os aspectos da sua vida, seja pessoal ou profissional. Você pode se conectar por meio dele no celular, computador ou na web. Quando estiver no carro, pode falar com ele."

Olho na receita corporativa

A mudança de rota tem um endereço claro: os clientes corporativos. As cerca de 2 milhões de empresas que usam os produtos da OpenAI respondem por aproximadamente 40% de sua receita — e a empresa quer elevar essa fatia para 50% até o fim do ano.

Para isso, alguns projetos voltados ao consumidor foram sacrificados. A OpenAI desativou um recurso de finalização de compras dentro do ChatGPT e encerrou o Sora, seu produto de geração de vídeos, menos de um ano após o lançamento.

A reorganização interna também aconteceu. ChatGPT, Codex e outras equipes de produto foram reunidas sob uma única liderança, chefiada por Sottiaux. Vários executivos seniores deixaram a empresa, incluindo o ex-chefe de produto Kevin Weil.

Convergência com a Anthropic

A estratégia aproxima a OpenAI de sua principal rival. A Anthropic, com a Claude Code, sempre priorizou o mercado corporativo.

"Há aproximadamente um ano, a estratégia da OpenAI era mirar alto, enquanto a da Anthropic era gerar lucro primeiro", disse Jenny Xiao, sócia da Leonis Capital e ex-pesquisadora da OpenAI. "Agora os dois estão convergindo, porque ambos estão buscando um IPO e os investidores se importam mais com dinheiro do que com sonhos."

No futuro, a OpenAI aposta que a distinção entre chatbots, ferramentas de programação e buscadores vai desaparecer.

"Quando tivermos inteligência artificial geral, não acho que haverá um grande número de marcas distintas", disse Alex Embiricos, chefe de produtos corporativos da empresa. "Provavelmente haverá uma única entidade com a qual poderei conversar e que poderá fazer tudo o que eu precisar."

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