Dólar nesta segunda, 19: moeda americana fechou as negociações com leve queda de 0,16%, cotado a R$ 5,364 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 17h21.
O dólar à vista encerrou as negociações desta segunda-feira, 19, em leve queda de 0,16%, cotado a R$ 5,364, em um pregão marcado por baixa liquidez e movimentos contidos. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre R$ 5,382, na máxima, e R$ 5,342, na mínima, em um ambiente externo dominado pelo aumento das tensões geopolíticas e comerciais entre Estados Unidos e Europa.
Apesar do forte movimento de aversão ao risco nos mercados globais — especialmente nas bolsas europeias, que fecharam em queda após novas ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump — o dólar não foi beneficiado como ativo de proteção. O comportamento destoou do padrão observado em episódios recentes de estresse internacional.
No índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, a divisa recuou 0,32%.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o pregão foi influenciado pelo feriado do Dia de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos, que reduziu a liquidez e favoreceu oscilações técnicas no mercado de câmbio.
"No cenário externo, a geopolítica foi um dos fatores de risco do dia, mas a retórica da Casa Branca, apesar de pressionar as bolsas europeias, não se traduziu em busca por proteção na moeda americana", afirma.
De acordo com Shahini, o principal canal de transmissão do risco nesta sessão acabou sendo o mercado de metais preciosos. Com os mercados americanos fechados, investidores buscaram ativos defensivos como o ouro e a prata, que avançaram diante da escalada das tensões envolvendo a Groenlândia e a ameaça de tarifas dos EUA contra países da União Europeia.
O ouro, por exemplo, subia 1,77% no contrato para fevereiro na Comex, negociado a US$ 4.676,70 por onça-troy, às 17h13, após renovar máximas históricas intradiárias.
A busca por proteção ocorreu em meio ao temor de que o impasse entre EUA e Europa evolua para uma guerra comercial, com possíveis retaliações tarifárias e restrições a fluxos de capital.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o desempenho do dólar reflete não apenas um movimento técnico de correção, mas também uma perda gradual de confiança na moeda americana como principal referência global.
"O dólar cai globalmente um pouco por correção e um pouco como reflexo desse movimento do Trump, que vai minando aos poucos os EUA como referência", avalia.
Perri destaca ainda que a fraqueza do dólar no exterior ajudou a aliviar a curva de juros no Brasil, movimento que também se beneficiou de declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em apoio institucional ao trabalho de Gabriel Galípolo e ao reconhecimento de espaço para queda de juros.
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.