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Chinesa compra quase um terço do capital da Puma e ação dispara 10%

Negócio de 1,5 bilhão de euros amplia estratégia global da Anta, em momento em que a Puma tenta se recuperar de perdas e queda de participação no mercado

Loja da Puma (Sean Gallup/Getty Images)

Loja da Puma (Sean Gallup/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 08h31.

A chinesa Anta Sports anunciou a compra de 29% da Puma, tornando-se a maior acionista da marca alemã de artigos esportivos. O negócio, fechado por 1,5 bilhão de euros, marca a saída parcial da bilionária família Pinault do capital da companhia e reacende a disputa no setor global de vestuário esportivo.

A operação foi fechada com a venda da fatia pertencente à Artémis, holding da família Pinault. O valor pago foi de 35 euros por ação, em dinheiro. Apesar da participação relevante, a Anta afirmou que não tem planos, por ora, de adquirir o controle total da Puma — o que a obrigaria a lançar uma oferta pública, conforme as regras do mercado alemão.

Com o anúncio, as ações da Puma chegaram a subir 20% no pregão de terça-feira, mas os papéis ainda operam próximos da mínima em dez anos.

O avanço chinês

A aquisição se encaixa na estratégia da Anta de expansão internacional por meio da compra de marcas ocidentais. Em 2019, a empresa liderou o consórcio que adquiriu a Amer Sports — dona de marcas como Wilson, Arc’teryx, Salomon e Atomic. Agora, com a entrada na Puma, a companhia chinesa amplia sua atuação no segmento de calçados e vestuário esportivo, especialmente fora da China, onde enfrenta concorrência crescente de Nike e Adidas.

À CNBC, Julia Zhu, sócia da consultoria CIC, afirmou que a Puma preenche uma lacuna no mercado de produtos esportivos de massa. A marca alemã é forte na Europa e América Latina, mas ainda tem presença fraca na China e América do Norte — o que, segundo analistas, abre espaço para sinergias, sem sobreposição direta.

A entrada da Anta acontece em um momento de transição para a Puma. Desde 2023, a empresa é liderada por Arthur Hoeld, ex-Adidas, que vem promovendo uma reestruturação focada na simplificação do portfólio, corte de pessoal e melhorias na operação de marketing.

Embora não assuma o controle da empresa, a Anta já sinalizou que pretende iniciar conversas com a gestão da Puma nos próximos dias. A marca seguirá com estrutura de gestão independente.

Para a Artémis, a transação também reforça o esforço de fortalecer seu balanço. A holding, que controla a Kering (dona da Gucci), vinha sendo pressionada por investidores devido ao alto nível de alavancagem. Para o UBS, o negócio dá ao novo CEO da Kering mais espaço para focar na estratégia de longo prazo do grupo — ainda que a venda envolva apenas uma participação indireta.

Por volta das 8h11 (horário de Brasília), as ações da Puma, negociadas em bolsa na Alemanha, subiam 10%.

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