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Ata do Fed condiciona novos cortes de juros à trajetória da inflação nos EUA

Documento do Banco Central americano indica que, apesar maioria aberta a um afrouxamento adicional da política monetária, há divergências sobre o ritmo

Chairman of the US Federal Reserve Jerome Powell speaks alongside Michelle Bowman (L), Board Vice Chair for Supervision, and Lisa Cook (R), Board Governor, as he chairs a Federal Reserve Board open meeting discussing proposed revisions to the board's supplementary leverage ratio standards at the Federal Reserve Board building in Washington, DC, on June 25, 2025. (Photo by SAUL LOEB / AFP) (AFP)

Chairman of the US Federal Reserve Jerome Powell speaks alongside Michelle Bowman (L), Board Vice Chair for Supervision, and Lisa Cook (R), Board Governor, as he chairs a Federal Reserve Board open meeting discussing proposed revisions to the board's supplementary leverage ratio standards at the Federal Reserve Board building in Washington, DC, on June 25, 2025. (Photo by SAUL LOEB / AFP) (AFP)

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 16h39.

Última atualização em 30 de dezembro de 2025 às 17h09.

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) divulgada nesta terça-feira, 30, reforça a avaliação de que a maioria dos dirigentes ainda vê espaço para novos cortes de juros nos Estados Unidos, desde que a inflação desacelere conforme o esperado.

Segundo o documento, na última reunião realizada nos dias 9 e 10 de dezembro, quando as autoridades monetárias reduziram a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para a faixa de 3,50% a 3,75%, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) discutiu diferentes visões sobre o grau de restrição da política monetária, mas prevaleceu a leitura de que ajustes adicionais para baixo na taxa básica podem ser apropriados ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, o documento também revela falta de consenso sobre o ritmo dos próximos passos, com parte do comitê defendendo cautela.

Segundo a ata, alguns dirigentes consideraram adequado manter a taxa inalterada por um período após a redução anunciada na reunião, a fim de avaliar os efeitos defasados da política monetária sobre o mercado de trabalho e a atividade econômica. Essa abordagem permitiria avançar gradualmente em direção a uma postura mais neutra, sem comprometer o processo de convergência da inflação à meta de 2%.

A ata também destaca que não há um caminho pré-definido para os juros. As próximas decisões seguirão condicionadas à evolução dos dados econômicos, às perspectivas para inflação e emprego e ao balanço de riscos, reforçando a dependência do Fed em relação às informações que forem sendo divulgadas ao longo dos próximos meses.

"Todos os participantes concordaram que a política monetária não seguia um curso predefinido e seria orientada por uma ampla gama de dados disponíveis, pela evolução das perspectivas econômicas e pelo equilíbrio de riscos", diz um trecho do documento.

Fed dividido

O corte no dia 10 de dezembro foi o terceiro seguido do ano, mas a decisão não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual. Enquanto outros dois dirigentes do Fed, Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid, defenderam que os juros fossem mantidos no patamar em que estavam, na faixa de 3,75% a 4%.

O documento destaca que o Fomc ao discutir as considerações de gestão de risco que poderiam influenciar as perspectivas da política monetária, apontou que estão em jogo ao mesmo tempo a inflação ainda está alta e o risco de piora do mercado de trabalho.

A maioria dos dirigentes entende que reduzir o aperto da política monetária, caminhando para uma postura mais neutra, pode ajudar a evitar uma desaceleração maior do emprego, sem comprometer de forma relevante o controle da inflação. Isso porque eles veem menor chance de que tarifas de importação impostas pelo governo americano provoquem inflação persistente.

"Em contrapartida, vários participantes apontaram para o risco de uma inflação mais elevada se consolidar e sugeriram que uma redução adicional da taxa básica de juros, num contexto de níveis de inflação elevados, poderia ser interpretada erroneamente como um sinal de menor comprometimento dos formuladores de políticas com a meta de inflação de 2%", afirma a ata do Fed.

Por fim, os participantes consideraram necessário um cuidadoso equilíbrio de riscos e concordaram com a importância de expectativas de inflação de longo prazo bem ancoradas para alcançar os objetivos do duplo mandato do Comitê.

Fomc volta a se reunir em janeiro

A paralisação do governo federal, o shutdown, que durou 43 dias, deixou o Fed por semanas sem dados oficiais importantes. Essa falta de informações, que ainda não foi totalmente resolvida, influenciou a avaliação dos dirigentes sobre os riscos da economia e tornou as decisões mais cautelosas.

Por isso, alguns membros que foram contra ou demonstraram dúvidas em relação ao último corte de juros afirmaram que a divulgação de novos dados sobre emprego e inflação seria essencial para avaliar se a redução das taxas realmente se justifica.

Essas informações começam a ser normalizadas em janeiro, quando os dados de emprego de dezembro serão divulgados no dia 9, e os números de inflação ao consumidor (CPI), no dia 13, retomando o calendário regular. A próxima reunião do BC dos EUA ocorre nos dias 27 e 28 de janeiro.

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