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A Apple não entrou na corrida da IA — mas pode ter vencido mesmo assim

Enquanto gigantes da tecnologia mergulham em gastos massivos com IA, a Apple não participa do "boom" de investimentos e não tem linhas de negócio principais vulneráveis a essas ferramentas

Apple: ponto fora da curva para investidores em meio à volatilidade da IA. (Xu Kaicheng/VCG/Getty Images)

Apple: ponto fora da curva para investidores em meio à volatilidade da IA. (Xu Kaicheng/VCG/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 11h38.

A Apple atingiu o maior nível de distanciamento em relação às demais big techs em quase duas décadas na bolsa dos Estados Unidos. Ao se manter à margem da corrida bilionária pela inteligência artificial, a empresa virou um ponto fora da curva para investidores em meio à volatilidade do setor.

A correlação de 40 dias da Apple com o Nasdaq 100 caiu para 0,21 na última semana, alcançando o menor patamar desde 2006, segundo dados compilados pela Bloomberg. O movimento indica que as ações passaram a se comportar de forma muito mais independente do desempenho médio das gigantes de tecnologia.

Para analistas ouvidos pela agência, essa desconexão é vista como um fator positivo. O estrategista-chefe da B. Riley Wealth, Art Hogan, afirma que a menor correlação beneficia a companhia em um momento em que o mercado vive sob o temor de quais setores serão os próximos a sofrer disrupção com a IA.

Enquanto outras gigantes de tecnologia ampliam aportes bilionários em IA, a dona do iPhone tem mantido distância da corrida por investimentos massivos. A companhia também não possui hoje uma linha de negócios central diretamente ameaçada por ferramentas de IA, explicam os especialistas.

Os investidores oscilam entre o receio de que os bilhões investidos em IA não tragam retorno e o temor de que segmentos inteiros, como de software (SaaS, em inglês), sejam profundamente impactados. Mas a Apple não se encaixa plenamente em nenhum desses extremos, o que ajuda a sustentar sua atratividade.

Mesmo com crescimento mais moderado que o de algumas rivais e negociações em torno de 30 vezes o lucro estimado, o mercado tende a conceder à empresa o benefício da dúvida, na avaliação do analista-chefe de mercado da Phoenix Financial Services, Wayne Kaufman.

"Há muito menos risco para hardware do que para software", disse à Bloomberg. “E, independentemente de qualquer outra coisa, não é como se as pessoas pudessem usar inteligência artificial para programar um novo iPhone", acrescentou.

Perspectivas e desafios para a Apple

Apesar do otimismo em relação à IA, a Apple enfrenta a disparada nos preços dos chips de memória, além da desaceleração da projeção sobre o crescimento das receitas, as quais devem sair de 11% atualmente para 6,7% em 2027. O seu valuation ainda é considerado alto: em torno de 30 vezes o lucro estimado.

Nos últimos dias, a Apple encarou uma volatilidade no preço das suas ações, com queda entre 5% e 8%, quando surgiram informações de que a atualização da assistente virtual Siri poderia sofrer atrasos, conforme fontes ouvidas pela Bloomberg. Isso não foi suficiente, no entanto, para retirar o brilho dos papéis.

Na terça-feira, 17, as ações da Apple subiram 3,2%, enquanto o índice Nasdaq 100 registrou uma queda de 0,1%. Somente em fevereiro, os papéis acumularam alta de 1,7%, contrastando com a queda de 3,3% do Nasdaq 100 e o tombo de 7,5% do índice "Magnificent Seven", que reúne as maiores empresas de tecnologia do mundo.

A Apple sinalizou que está acelerando o desenvolvimento de três novos dispositivos vestíveis alimentados por IA, buscando uma integração cuidadosa da tecnologia ao seu hardware. Resultados recordes de vendas e projeções positivas sustentam também a confiança dos investidores, segundo a agência.

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