Investimento em IA alcança esferas federal, estadual e municipal (Daniel Balakov/Getty Images)
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 13h26.
Com o avanço da inteligência artificial (IA), organizações estaduais aproveitam recursos para economizar e otimizar processos. Em Florianópolis, o atendimento digital gerou economia de R$ 100 mil aos cofres públicos.
A tendência expandiu para outras cidades e estados e também influencia os investimentos do Governo Federal.
No ano passado, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) anunciaram uma parceria para incluir o uso de IA na prestação e gestão de serviços públicos.
A operação deve durar quatro anos e foi apelidada de Inspire (abreviatura do nome completo: Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética).
O acordo estipula um investimento de R$ 390 milhões em ferramentas generativas que serão distribuídas em diferentes plataformas do governo, como o Cadastro Único e sistemas de órgãos de saúde.
A verba será disponibilizada do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com gestão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A iniciativa federal também se propôs a investir R$ 5,4 bilhões para promover a IA no Brasil.
O programa do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e da Finep, terá duração de cinco anos e foco em financiar data centers, apoiar startups de IA e criar modelos de linguagem em português.
A ferramenta de inteligência artificial da Controladoria-Geral da União (CGU), Analisador de Licitações, Contratos e Editais (Alice), foi criada para analisar os processos de compras e contratações públicas.
Desde 2019, ela economizou R$ 11 bilhões dos cofres públicos.
No último dado divulgado, referente a 2024, foram R$ 1,25 bilhão em benefícios financeiros ofertados pelas ações preventivas direcionadas pelo Alice.
Em 2025, o governo do Espírito Santo detalhou o uso de IA em seis pastas (filipefrazao/Thinkstock)
No campo estadual, o Espírito Santo se destaca pela iniciativa de usar IA para automatizar análises e cruzamentos de dados.
Segundo o subsecretário de Estado de Transformação Digital, Victor Mura, o estado tem 90 robôs de IA distribuídos em 11 secretarias e órgãos.
Desenvolvemos ambiente com capacidade de coletar grandes volumes de dados públicos e privados em sistemas, arquivos e bancos de dados para cruzá-los e obter importantes respostas de gestão, alcançando excelência no atendimento aos anseios da sociedade. Assim, é possível encontrar respostas antes impossíveis, na antiga forma de gestão de dados.
Entre os exemplos de uso, ele cita a Secretária da Fazenda e Planejamento (Sefaz), a Polícia Civil, Detran e outros.
Conheça a ação da IA em cada setor:
A IA é utilizada para cruzar dados de notas fiscais, de venda de produtos, de consumidores, de fornecedores e de veículos transportadores que cruzam o Estado. Ela também contabiliza em tempo real a arrecadação estadual, tarefa que, quando era realizada manualmente, demorava até 30 dias.
A ferramenta é utilizada para analisar dados de criminosos, como área onde os indivíduos atuam, onde residem, possíveis ligações com facções, entre outros.
A automação monitora a frota de veículos e avalia as condições de conservação ou multas. A análise também considera a situação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de condutores.
O trabalho na pasta é otimizado pela IA durante o atendimento de mandados judiciais ligados à aquisição de medicamentos, regulação de exames e cirurgias.
A tecnologia é utilizada para cruzar dados entre as forças de segurança para identificar criminosos de forma mais rápida e precisa.
Utiliza a IA para controlar as 1.650 câmeras das rodovias estaduais, municipais e federais. O serviço é uma parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Entre 2022 e 2025, o crescimento urbano de Florianópolis criou uma nova demanda acerca dos processos das secretarias de Habitação, Desenvolvimento Urbano e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Para automatizar os processos, a cidade implementou a Aprova — que converte e digitaliza autodeclarações.
Com a tecnologia, a cidade passou a emitir o alvará mais rápido do Brasil: com cinco minutos de espera.
Além de acelerar os processos, a Aprova também gera economia para a gestão municipal.
São cerca de R$ 100 mil poupados com o atendimento digital.
O projeto Rio AI City foi apresentado na última edição do Rio Innovation Week, em 2025, e propõe um investimento de US$ 65 bilhões em inteligência artificial.
O objetivo é consagrar a capital fluminense como um dos dez maiores polos de inteligência artificial (IA) do mundo até 2032.
A proposta foi introduzida o Rio Innovation Week 2025 (Divulgação)
Entre os planos da cidade, está a construção de um campo de data centers na zona oeste do Rio de Janeiro.
Segundo a apresentação, a primeira etapa com capacidade energética de 1,5 GW será entregue até 2027.