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Trump diz ter boas relações com Lula e deseja encontrá-lo em Washington: 'Eu adoraria'

Nesta semana, o presidente brasileiro também manifestou desejo de reunião com o republicano sobre temas ligados aos interesses do Brasil, multilateralismo e democracia

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 20h11.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 20h13.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 27, que mantém boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou que “adoraria” recebê-lo em Washington.

A declaração ocorreu na saída da Casa Branca, antes de embarcar para o Texas, quando foi questionado por uma repórter sobre a agenda de líderes da América Latina prevista para março, segundo a agência Reuters.

A comitiva que deve visitar a capital americana não inclui, até o momento, o presidente brasileiro. Ao ser perguntado se gostaria de recebê-lo na Casa Branca, Trump respondeu: “Eu me dou muito bem com o presidente do Brasil. Muito bem. Eu adoraria”, disse o republicano, sem detalhar a afirmação.

Visita de Lula a Washington

O presidente Lula afirmou nesta terça-feira, 24, que pretende viajar aos Estados Unidos em meados de março, mas ainda aguarda a confirmação oficial da agenda com o presidente norte-americano. Segundo Lula, a reunião com Donald Trump ainda não tem data definida, mas a expectativa é que ocorra por volta de 16 de março.

Lula indicou que pretende discutir com o presidente dos Estados Unidos temas ligados aos interesses do Brasil, ao multilateralismo e à democracia.

"Ainda não está marcada a reunião, acho que precisa ser lá pelo dia 16 ‌de março, ou próximo a essa ‌data, e quando tiver a reunião nós vamos conversar os assuntos", disse Lula em coletiva de imprensa, adiantando que pretende levar consigo nessa viagem representantes da Polícia Federal, da ‌Receita Federal e do Ministério da Fazenda para tratar do combate ao crime organizado.

No domingo, durante passagem pela Índia, o presidente já havia antecipado que pretende tratar com Trump de comércio, imigração, investimentos e cooperação entre universidades. A agenda bilateral deve incluir temas econômicos, migratórios e educacionais.

Recentemente, fontes com conhecimento das negociações informaram à agência Reuters que o governo brasileiro sugeriu a segunda quinzena de março como possível período para a viagem, com indicação da semana do dia 15. Até então, não havia resposta formal da Casa Branca sobre a proposta apresentada pelo Brasil.

Tarifaço dos EUA

Questionado sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sexta-feira, que invalidou parte das tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos importados, Lula evitou comentar o caso.

Após a derrota na Corte, o republicano anunciou tarifas globais de 10% sobre importações que entraram em vigor nesta terça-feira, 24. O percentual é inferior aos 15% mencionados pelo presidente no sábado, 21, mas nenhuma diretriz oficial elevando a taxa foi publicada até o momento.

A medida foi formalizada por meio de ordem executiva assinada horas após a Suprema Corte bloquear parte das tarifas amplas impostas anteriormente com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA).

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Desafios na diplomacia

As declarações públicas de aproximação entre os líderes ocorrem no momento em que o governo norte-americano formalizou a nomeação de um assessor com histórico de críticas ao atual governo brasileiro, segundo a agência de notícias Reuters.

O Departamento de Estado confirmou à agência que Darren Beattie assumiu o cargo de “assessor sênior para a política em relação ao Brasil”. A função envolve a formulação e o acompanhamento das diretrizes de Washington para Brasília. Beattie já está no posto, segundo autoridades ouvidas pela Reuters.

O nomeado esteve no centro de uma controvérsia durante a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos relacionada ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, Beattie classificou o ministro Alexandre de Moraes como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”.

A designação ocorre em um contexto de interlocução sensível entre os dois países, com episódios recentes envolvendo decisões do STF e manifestações de integrantes do governo norte-americano sobre o cenário político brasileiro.

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