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Moonshot AI: empresa deve fazer IPO até o fim do ano (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 20 de julho de 2026 às 08h40.
A corrida pela inteligência artificial (IA) deve ficar ainda mais acirrada nos próximos meses com a provável oferta inicial pública (IPO, na sigla em inglês) da chinesa Moonshot AI.
Segundo a Bloomberg, a Moonshot distribuiu uma resolução de acionistas buscando a aprovação de seus investidores para uma listagem em Hong Kong.
A empresa, segundo fontes ouvidas pelo site, se prepara para abrir capital nos próximos seis meses, mesmo período em que gigantes como a Anthropic, do Claude, e a OpenAI, do ChatGPT, devem chegar a Wall Street.
A Moonshot também concluirá em breve uma nova rodada de investimentos que pode avaliar a startup em mais de US$ 30 bilhões, acima dos US$ 20 bilhões de maio após uma rodada liderada pela Meituan.
O gatilho da pressa tem nome e data. Em 16 de julho, a Moonshot lançou o Kimi K3, um modelo de pesos abertos com cerca de 2,8 trilhões de parâmetros e arquitetura de mistura de especialistas, que divide as tarefas entre sub-redes especializadas. O sistema igualou ou superou modelos americanos de fronteira em vários testes de programação, e a repercussão derrubou ações globais de tecnologia.
A companhia já se preparava para acionar o gatilho da listagem antes do lançamento, mas a recepção ao K3 deu à tese do IPO uma demonstração que nenhuma apresentação a investidores conseguiria reproduzir.
Segundo a consultoria Artificial Analysis, o K3 ficou à frente do Opus 4.8, da Anthropic, em alguns testes de fronteira — o primeiro modelo chinês de pesos abertos a atingir essa marca.
A receita recorrente anual da Moonshot, indicador de vendas futuras, chegou a US$ 300 milhões em junho, ante US$ 200 milhões em abril e cerca de US$ 100 milhões no início de março.
A demanda pelo K3 superou a capacidade da empresa.
No fim de semana seguinte ao lançamento, a companhia precisou suspender temporariamente novas assinaturas, com as vendas diárias em alta de pelo menos seis vezes desde a estreia do modelo.
Ainda assim, a Moonshot é menor que a rival chinesa Z.AI, que se aproxima de US$ 1 bilhão em vendas anuais.
Para viabilizar a operação, a empresa precisa mudar de forma.
A Moonshot começou a desmontar sua estrutura societária no exterior, o modelo conhecido como VIE, usado por companhias chinesas para direcionar investimento estrangeiro contornando limites de propriedade — uma exigência das regras revisadas do regulador de valores mobiliários da China para uma listagem mais tranquila em Hong Kong.
Os bancos também já estão em conversas. A China International Capital Corporation (CICC) e o Goldman Sachs negociam trabalhar na oferta. Procurada, a Moonshot não comentou os planos de listagem.
Fundada no início de 2023 pelo ex-professor da Universidade Tsinghua Yang Zhilin, que passou por Meta e Google, a Moonshot é hoje uma das principais desenvolvedoras de IA generativa da China, ao lado de DeepSeek, Qwen (da Alibaba), MiniMax e Z.AI. Seu portfólio reúne assinaturas pagas do chatbot, acesso corporativo aos modelos e o agente Kimi Work.
A janela, porém, não está garantida. Cerca de metade das ofertas recentes em Hong Kong teve desempenho abaixo do esperado, o que adiciona incerteza a uma estreia de avaliação tão alta.
E a concorrência doméstica não dá trégua: dias depois do K3, a Alibaba apresentou o Qwen3.8, com 2,4 trilhões de parâmetros.
Se a Moonshot cumprir o cronograma, disputará a atenção dos investidores no mesmo semestre em que OpenAI e Anthropic devem testar o apetite de Wall Street pela IA.