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'Não escolhemos vencedores': como Nvidia lucra com OpenAI e Anthropic — ao mesmo tempo

Com US$ 30 bilhões na OpenAI e US$ 10 bilhões na Anthropic, a Nvidia montou a posição mais lucrativa da corrida pela IA sem precisar escolher um lado

Corrida pelo IPO: Nvidia pode sair vitoriosa, mesmo sem participar (Imagem gerada por IA)

Corrida pelo IPO: Nvidia pode sair vitoriosa, mesmo sem participar (Imagem gerada por IA)

Publicado em 1 de junho de 2026 às 05h03.

Se Jensen Huang, CEO da Nvidia, tivesse que escolher uma empresa para defender na corrida pela inteligência artificial (IA), ele ficaria do lado da corrida.

Em 2026, a Nvidia ultrapassou US$ 40 bilhões em investimentos em laboratórios de IA, enquanto segue vendendo chips para todos eles.

Em entrevista ao podcast Dwarkesh, Huang explicou o porque. "Há tantas empresas incríveis de modelos de fundação, e tentamos investir em todas elas. Não escolhemos vencedores. Precisamos apoiar a todos."

A frase resume a posição mais invejável da corrida pela inteligência artificial.

Enquanto OpenAI e Anthropic disputam clientes, talentos e a data do próprio IPO, a Nvidia lucra com as duas como fornecedora de chips, como investidora e, em breve, como acionista indireta de duas das maiores ofertas públicas da história da tecnologia.

O ciclo que se retroalimenta

A Nvidia acumulou mais de US$ 40 bilhões em compromissos de investimento em empresas de IA em 2026, segundo a CNBC.

O maior cheque foi de US$ 30 bilhões para a OpenAI. A Anthropic recebeu aproximadamente US$ 10 bilhões, segundo a Futunn.

A lógica é circular — e deliberadamente assim.

A Nvidia investe em laboratórios de IA. Os laboratórios usam o dinheiro para comprar mais capacidade computacional. A capacidade computacional é fornecida pela Nvidia.

O analista Matthew Bryson, do Wedbush Securities, chamou o modelo de "tema de investimento circular".

O erro que Huang admitiu

O movimento agressivo de 2026 é, em parte, uma correção de curso.

Huang admitiu no podcast Dwarkesh que a Nvidia perdeu a janela de investimento precoce na OpenAI e na Anthropic, e que isso foi um erro.

Quem entrou cedo não ganhou apenas retorno financeiro, mas também influência sobre decisões de infraestrutura e compromissos de longo prazo de compra de capacidade computacional.

A Nvidia chegou tarde a essa conversa — e não quer repetir o erro.

O precedente da Intel

O precedente mais próximo é o investimento na Intel.

Em setembro de 2025, a Nvidia colocou US$ 5 bilhões na empresa como parte de um acordo de parceria.

Em poucos meses, com as ações da Intel disparando mais de 200%, a posição passou a valer mais de US$ 25 bilhões — retorno histórico em questão de meses, segundo a CNBC.

A posição da Nvidia na OpenAI é seis vezes maior. A da Anthropic é duas vezes maior.

O que acontece quando o IPO chegar

Quando OpenAI e Anthropic abrirem capital (a primeira prevista para setembro de 2026, a segunda sem data confirmada mas com avaliação de US$ 965 bilhões), a Nvidia vai registrar ganhos sobre posições que valem dezenas de bilhões.

Os investimentos em private equity da Nvidia no balanço chegaram a US$ 22,25 bilhões ao final de janeiro de 2026, ante US$ 3,39 bilhões um ano antes, segundo a SEC.

O risco no horizonte

Reguladores americanos e europeus já observam com atenção a teia de participações cruzadas no ecossistema de IA.

Microsoft na OpenAI, Amazon na Anthropic, Google em múltiplas startups, e agora a Nvidia em praticamente todas.

Investigações formais são esperadas para o início de 2027, segundo a CNBC.

Por ora, porém, a Nvidia está numa posição que poucos conseguem ocupar numa corrida tecnológica: a de quem lucra com a aceleração independentemente de quem cruzar a linha de chegada primeiro.

OpenAI ou Anthropic — o cheque vai para o mesmo endereço.

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