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Wang Xingxing: fundador da Unitree ficou ainda mais bilionário (Reprodução/YouTube/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 16h18.
Wang Xingxing, presidente-executivo e diretor de tecnologia da Unitree Robotics, maior fabricante de robôs humanoides do mundo em volume de vendas, se tornou o primeiro bilionário chinês do setor às vésperas da estreia da empresa na bolsa de Xangai.
Sua participação direta e indireta na companhia, com sede em Hangzhou, soma cerca de US$ 2,7 bilhões ao preço de emissão da oferta pública inicial (IPO).
Se a ação atingir a meta de capitalização de mercado projetada por bancos de investimento — 109 bilhões de yuans, cerca de US$ 16,2 bilhões —, o patrimônio dele pode superar US$ 5,3 bilhões.
Wang tem 36 anos e criou a Unitree em 2016, na cidade de Hangzhou, com cerca de US$ 296 mil em capital semente, depois de uma passagem breve pela fabricante de drones DJI.
A Unitree precificou o IPO em 150,80 yuans por ação, avaliando a empresa em cerca de 61 bilhões de yuans — em torno de US$ 9 bilhões — e levantando 6,1 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 905 milhões.
A demanda de investidores de varejo superou a oferta disponível em mais de 8 mil vezes, recorde para o mercado STAR, segmento de tecnologia da bolsa de Xangai. Em mercados de ações privadas fora da China, como EquityZen, UpMarket e Hiive, as ações da Unitree chegaram a ser cotadas com expectativa de triplicar de valor.
Em corretoras de criptomoedas como Hyperliquid e Gate, negociações de derivativos apontavam para alta de quase quatro vezes.
Segundo a Reuters, investidores sortudos que conseguiram cotas no IPO já foram procurados por cambistas dispostos a pagar 410 yuans por ação — prêmio de 170% sobre o preço de oferta.
Fundada como Yushu Technology, a Unitree nasceu do projeto de mestrado de Wang: o XDog, um robô quadrúpede desenvolvido durante seus estudos na Universidade de Xangai.
A companhia despachou mais de 5.500 robôs humanoides em 2025, a maior marca do setor no mundo, com participação de 32,4% do total de unidades entregues globalmente, segundo o prospecto do IPO. A produção em massa total, incluindo unidades não comercializadas, superou 6.500 aparelhos.
A receita de 2025 somou cerca de 1,7 bilhões de yuans — em torno de US$ 252 milhões —, alta de mais de 300% sobre o ano anterior.
A margem bruta chegou a 60,27%, e a empresa registrou lucro líquido ajustado de cerca de 600 milhões de yuans, o que a torna incomum no setor: a maioria das fabricantes de robôs humanoides ainda opera no vermelho, consumindo capital pesado em pesquisa e desenvolvimento.
Quase metade da receita da empresa, cerca de 45%, veio de vendas internacionais.
A Unitree se tornou fenômeno de cultura popular na China depois que seus robôs dançaram no palco do Festival da Primavera da CCTV, a transmissão mais assistida do país, no ano passado.
Desde então, a empresa passou a ser vista como peça estratégica na ambição chinesa de liderar tecnologias do futuro. Wang teve assento na primeira fila num raro encontro entre o presidente Xi Jinping e empresários de tecnologia, ao lado de nomes como o cofundador do Alibaba e o fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng.
A própria DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial (IA), está entre os investidores estratégicos da Unitree, ao lado de Tencent, Alibaba, Meituan, Sequoia Capital, China Mobile, Geely Capital e Ant Group, somando 11 rodadas de financiamento ao longo da trajetória da empresa.
A estreia da Unitree acontece poucas semanas depois das ações da fabricante de chips de memória CXMT dispararem mais de cinco vezes em sua própria estreia em Xangai — sinal do apetite renovado por ofertas de tecnologia no mercado chinês.
Pequim vem tratando a robótica humanoide como prioridade nacional. Documento de política de 2023 já descrevia o setor como "a nova fronteira da competição tecnológica", num momento em que o crescimento econômico do país desacelera e a força de trabalho encolhe.
Wang projetou, em entrevista ao site chinês 36Kr, que a Unitree pode despachar entre 10 mil e 20 mil robôs humanoides em 2026 — salto expressivo sobre as 5.500 unidades do ano anterior, e a aposta que sustenta boa parte do entusiasmo dos investidores.