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Ela abriu um negócio e criou uma equipe de executivos de IA para ajudar na gestão da empresa (Sara Russell/Business Insider)
Jornalista
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 15h31.
A inteligência artificial passou a ocupar funções administrativas em uma pequena empresa de produtos de banho nos Estados Unidos. O caso foi contado por Sara Russell, fundadora da Mainland Vintage Bath & Body Boutique, em reportagem do Business Insider publicada em 17 de agosto.
Russell, de 37 anos, começou a produzir sabonetes como hobby em 2020. Em 2021, abriu uma loja na Etsy e manteve a atividade paralelamente ao emprego em marketing. Após ser demitida em 2023, decidiu transformar o negócio em sua principal ocupação.
O problema era a gestão. Ela dominava a parte criativa, mas tinha pouca experiência com temas como análise de dados, vendas, SEO e administração empresarial.
Em fevereiro, Russell começou a utilizar projetos do Claude, da Anthropic, para separar as diferentes funções da empresa. Ela criou estruturas específicas para marketing, vendas, finanças e desenvolvimento de produtos.
A lógica funcionava como uma espécie de C-suite virtual, nome dado ao grupo de executivos que lidera as principais áreas de uma companhia. Na prática, porém, Russell tratava as respostas como apoio de nível inicial, e não como decisões prontas.
"Eles podem me dar ideias, mas eu sou a autoridade."Sara Russell
Um dos projetos funciona como um CFO, sigla em inglês para diretor financeiro. Russell utiliza a ferramenta para ajudá-la a interpretar dados de vendas que ainda não sabe analisar sozinha.
Outro projeto é dedicado à estratégia do Instagram. A empreendedora fornece informações sobre o negócio e pede sugestões para transformar audiência em clientes.
Russell criou ainda um “chief of staff” de IA, função equivalente à de chefe de gabinete. O sistema reúne mensalmente informações dos diferentes projetos em um único documento.
Com isso, ela consegue revisar vendas, tarefas realizadas, atividades pendentes e próximos compromissos em um mesmo lugar.
A estrutura também mostra uma forma de utilização diferente dos pedidos isolados feitos a chatbots. Em vez de começar uma conversa nova para cada dúvida, a empreendedora mantém contexto e organização por área.
O exemplo de Russell pode ser aplicado a outros pequenos negócios e também a profissionais que trabalham sozinhos. A lógica é dividir atividades de acordo com suas necessidades, como:
A empreendedora, porém, mantém uma separação clara entre apoio e decisão. Ela afirma que prefere preservar sob seu controle as atividades criativas e não permite que a IA tome decisões em seu nome.
Russell também diz que pretende contratar funcionários quando tiver recursos para isso. Segundo ela, prefere investir em pessoas a ampliar o plano da ferramenta de IA.
Para um profissional que queira testar abordagem semelhante, o primeiro passo é identificar tarefas recorrentes que consomem tempo ou exigem conhecimentos que ainda não domina.
Em seguida, é possível criar instruções específicas para cada função, fornecendo contexto, objetivos e limites. A revisão humana continua necessária, especialmente quando a resposta envolve dinheiro, estratégia ou decisões importantes.
O caso de Russell mostra que uma das aplicações da inteligência artificial em pequenos negócios não está necessariamente na substituição de pessoas, mas na criação de estruturas para organizar informações, apoiar tarefas e ampliar a capacidade de um profissional que trabalha sozinho.