Guerra Israel Irã: ataques se intensificam e atingem múltiplos países do Oriente Médio no 18º dia do conflito (IBRAHIM AMRO/AFP)
Repórter
Publicado em 17 de março de 2026 às 07h40.
A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã entrou no 18º dia nesta terça-feira, 17, com a morte de altos dirigentes iranianos em um ataque israelense, novos bombardeios em Teerã e Beirute e uma onda de mísseis e drones que atingiu países do Golfo e o Iraque.
A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá voltou a ser alvo de ataques, em meio à escalada do conflito, que já deixou mais de 2.200 mortos desde 28 de fevereiro.
Israel afirmou ter matado Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e uma das figuras mais influentes do regime, além do general Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij. Segundo o Exército israelense, ambos foram mortos em um bombardeio durante a madrugada em Teerã.
Na capital iraquiana, a embaixada americana foi atingida por drones e foguetes em ataques consecutivos entre segunda e terça-feira. Sistemas de defesa interceptaram parte dos projéteis, mas um drone caiu dentro do complexo e um míssil atingiu o teto de um hotel na Zona Verde, provocando incêndio. Não houve registro de vítimas.
A ofensiva ocorre em meio a uma nova “onda de ataques em larga escala” contra Teerã e contra posições do Hezbollah em Beirute. No Líbano, bairros da capital foram atingidos, enquanto o grupo pró-Irã afirmou ter respondido com foguetes e drones contra tropas israelenses.
Explosões foram registradas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Doha, no Catar, após alertas de ataques com mísseis. As defesas aéreas emiradenses interceptaram projéteis, mas destroços de um míssil mataram uma pessoa em Abu Dhabi. No Kuwait, dois paramédicos ficaram feridos após a queda de fragmentos.
O Irã também lançou uma nova onda de ataques contra alvos em Israel e contra a base americana de Al Udeid, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
No Iraque, o conflito se intensificou com ataques diretos a interesses americanos e aliados de Teerã. Em Bagdá, ao menos quatro pessoas morreram após um míssil atingir uma residência que abrigava assessores iranianos.
O país voltou a se tornar um campo indireto do confronto. Milícias pró-Irã intensificaram ataques a bases e instalações petrolíferas, enquanto forças americanas e israelenses ampliaram bombardeios contra esses grupos.
Os preços do petróleo subiram mais de 5%, com o barril do Brent acima de US$ 100 e o WTI próximo de US$ 98, refletindo o risco à oferta global diante da instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial.
O Irã mantém a rota praticamente bloqueada e ameaça interromper totalmente o fluxo de petróleo, enquanto os Estados Unidos pressionam aliados a garantir a navegação. Países como Alemanha, Japão e Austrália rejeitaram o apelo do presidente Donald Trump para atuação na região, e a União Europeia descartou o envio de missão naval.
A China anunciou o envio de ajuda humanitária ao Irã, Líbano, Iraque e Jordânia, em meio ao agravamento da crise. Pequim também “tomou nota” do pedido de Trump para adiar um encontro com o presidente Xi Jinping devido ao conflito.
No plano interno, a Guarda Revolucionária iraniana informou ter prendido dez supostos espiões estrangeiros, acusados de coletar informações sobre infraestruturas sensíveis e de ligação com grupos opositores.
A instabilidade também já afeta setores além da segurança e da economia. A seleção iraniana de futebol negocia disputar partidas da Copa do Mundo de 2026 no México, alegando falta de garantias de segurança nos Estados Unidos.
*Com EFE e AFP