Economia

Diesel supera US$ 5 nos EUA e atinge maior preço em 4 anos com guerra no Irã

No Brasil, governo reage com subsídio e corte de impostos

Diesel: combustível fica mais caro com alta no petróleo (RunPhoto/Getty Images)

Diesel: combustível fica mais caro com alta no petróleo (RunPhoto/Getty Images)

Publicado em 17 de março de 2026 às 08h48.

O preço do diesel nos Estados Unidos ultrapassou US$ 5 por galão pela primeira vez desde dezembro de 2022. A média nacional atingiu US$ 5,04 na segunda-feira, 17, segundo a American Automobile Association.

No final de fevereiro, antes do conflito, o diesel custava em média US$ 3,72 por galão (3,6 litros).

A alta ocorre em meio à guerra no Irã, que dura 18 dias e afeta o fornecimento global de energia. O Estreito de Ormz=uz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanece com tráfego restrito.

O diesel tem impacto direto na economia global. O combustível abastece setores como transporte de cargas, agricultura e construção, e a elevação de preços tende a se espalhar por cadeias produtivas.

O querosene de aviação superou US$ 200 por barril, enquanto o óleo combustível se aproxima de US$ 140. Já o óleo de aquecimento residencial, derivado da mesma categoria de destilados do diesel, também ultrapassou US$ 5 por galão.

Brasil tenta conter impacto com subsídios

Diante da pressão internacional, o governo brasileiro lançou a MP 1340/26 com foco na estabilização dos preços do diesel. A medida combina subsídios à produção e importação com desoneração tributária.

Segundo o Ministério da Fazenda, o efeito estimado é de redução de R$ 0,64 por litro, sendo metade via corte de impostos e metade por subvenção direta. As ações são temporárias e valem até 31 de dezembro de 2026.

O governo também zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel. Para compensar a perda fiscal, será aplicada taxa de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre exportações de diesel.

A medida exige que produtores e importadores comprovem o repasse do benefício ao consumidor final. Também amplia punições para práticas abusivas, com multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões.

No mercado interno, a Petrobras elevou em R$ 0,38 por litro o preço do diesel vendido às distribuidoras — o primeiro aumento em mais de 400 dias. Considerando a mistura obrigatória com biodiesel, o impacto estimado nas bombas é de cerca de R$ 0,32 por litro.

O preço médio nas refinarias passou a R$ 3,65 por litro. A estatal avalia aderir ao programa de subsídio federal, que prevê pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas participantes.

E os outros países?

Outros países e regiões também sentem o impacto da alta no petróleo e adotaram medidas para conter os efeitos dos preços sobre suas economias.

Na Ásia, onde a dependência do Oriente Médio é maior, as respostas foram imediatas. A China limitou a alta do diesel a 11% por meio de controle estatal, enquanto a Índia restringiu os reajustes a 5%.

A Tailândia impôs um teto temporário de preços e reforçou alertas contra estocagem, e a Coreia do Sul estabeleceu limites e ampliou a fiscalização contra aumentos abusivos.

Outros países focaram na redução do consumo. As Filipinas adotaram semana de trabalho de quatro dias para economizar combustível. No Vietnã, o governo acionou o fundo de estabilização após altas de até 50% no diesel.

Na Europa, os preços médios chegaram a cerca de 2 euros por litro, com aumentos de até 27% na Espanha. A União Europeia monitora riscos de desabastecimento, embora a menor dependência do Oriente Médio atenue parte da pressão.

 a Austrália, dependente de importações, projeta alta de até 40 centavos por litro e avalia medidas emergenciais, incluindo racionamento. Em países africanos, o petróleo acima de US$ 100 amplia riscos inflacionários, em meio à dependência externa e à ausência de respostas estruturadas.

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