Representação do bitcoin (crédito: Kanchanara/Unsplash)
Editor do Future of Money
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 10h26.
Última atualização em 20 de agosto de 2026 às 10h50.
O bitcoin prossegue em forte alta nesta quinta-feira, 20, e supera os US$ 71 mil. Agora, a maior das criptomoedas está em seu maior preço de negociação desde 1º de junho deste ano, quando chegou a operar a US$ 74.045.
Às 10h21 (horário de Brasília) o bitcoin subia 10,8% em um período de 24 horas, atingindo US$ 71.938 por unidade. Na máxima do dia, o BTC chegou a ser negociado a US$ 72.418.
Usando análise técnica, Matheus Parizotto, analista do BTG Pactual, afirma que o rompimento da resistência do bitcoin nos US$ 67 mil confirma a retomada da tendência de alta no curto prazo.
“O conjunto é positivo e já vinha sinalizando que o pior do bear market [mercado de baixa] podia já ter ficado para trás, dependendo apenas de um catalisador para retomada”, argumenta o analista do BTG.
No curtíssimo prazo, por outro lado, Parizotto diz que a volatilidade tende a continuar elevada, com a direção dos movimentos dependendo de quanto os fluxos de fundos negociados em bolsa (ETFs) e de tesourarias de ativos digitais (DATs), que foram fracos nos últimos meses, vão ajudar a sustentar esse movimento.
Para Parizotto, o movimento de alta tem quatro catalisadores principais.
O primeiro é a proposta de nova regulamentação para criptoativos por parte da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês). As regras incluem isenções de registro em algumas ofertas.
“O detalhe que mais importa veio da comissária Hester Peirce, que sinalizou interesse em permitir que criptoativos exerçam papel equivalente a ações, dando ao investidor participação real no crescimento do negócio por trás dos ativos”, avalia Parizotto.
Já o segundo catalisador é o cenário macroeconômico depois que o governo dos EUA anunciou que vai dobrar o tamanho das compras de títulos para US$ 4 bilhões. “Juros longos caíram, o dólar enfraqueceu, e ativos de risco em geral reagiram positivamente. Criptoativos, como a classe mais sensível a condições financeiras e de liquidez, respondeu com mais força que o resto.”
O terceiro fator foi o encontro na Casa Branca ontem, no qual o presidente norte-americano, Donald Trump, reuniu-se com executivos das maiores empresas de criptoativos dos EUA, como Coinbase, Ripple, Robinhood, Chainlink, Kraken e Gemini.
Trump pressionou o Congresso a aprovar o projeto de lei de regulação dos criptoativos nos EUA, conhecido como “Clarity Act”, e voltou a falar na reserva estratégica de bitcoin do país.
Por fim, o último catalisador para a disparada foi a liquidação de investidores que tinham posições vendidas, apostando em uma queda do bitcoin. Foram cerca de US$ 2,7 bilhões em liquidações de posições vendidas no mercado cripto em 24 horas, a maior da história.
Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 517,2 milhões nos ETFs de bitcoin à vista dos EUA. Foi o terceiro pregão consecutivo de entrada de capital neste tipo de fundo.
O maior alvo do fluxo comprador foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 284,7 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 122,1 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas subiu 19 pontos, indo de 41 para 60 pontos. Com isso, o índice saiu da zona “neutra” e entrou na região que sinaliza predominância da “ganância”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
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