VAR: o sistema é formado por uma equipe de juízes e ex-juízes de futebol. Eles ficam em uma central de vídeo fora do estádio acompanhando toda partida por vários monitores de TV (Sergei Karpukhin/Reuters)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 24 de abril de 2026 às 15h29.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo, em parceria com instituições nacionais e internacionais, analisaram os efeitos do VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) no futebol brasileiro. O estudo avaliou 3.420 partidas da Série A do Campeonato Brasileiro disputadas entre 2015 e 2023.
A pesquisa foi liderada pelo professor Bruno Bedo, da Escola de Educação Física e Esporte da USP. O levantamento comparou estatísticas de jogos antes e depois da adoção do árbitro de vídeo na Série A. Foram analisadas 1.520 partidas sem VAR, entre 2015 e 2018, e 1.900 partidas com VAR, entre 2019 e 2023.
O VAR passou a ser usado no Campeonato Brasileiro da Série A em 2019. No Brasil, a tecnologia havia sido utilizada pela primeira vez em 2017, na final do Campeonato Pernambucano.
Os pesquisadores analisaram gols, impedimentos, pênaltis, cartões amarelos, cartões vermelhos, faltas e tempo de jogo nos dois tempos regulares das partidas.
Os resultados apontam que o VAR aumentou a duração das partidas no futebol brasileiro. O acréscimo total superou dois minutos por jogo. Segundo o estudo, o efeito foi classificado como “muito grande” em termos estatísticos. A mudança foi observada nos dois tempos regulares das partidas.
A pesquisa também identificou queda na média de impedimentos. O índice passou de 3,2 para 2,8 por jogo após a adoção do VAR.
Outras variáveis permaneceram praticamente estáveis. O número de gols, faltas, pênaltis, cartões amarelos e cartões vermelhos não teve mudança significativa.
Para os autores, os dados indicam que o árbitro de vídeo atua como ferramenta de correção em lances específicos. A tecnologia não alterou de forma relevante a conduta dos atletas nem o padrão disciplinar das partidas.