Tifanny: Atleta vive impasse sobre sua carreira após nova regra da CBV (Foto: Divulgação/CBV)
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Publicado em 17 de agosto de 2026 às 20h39.
Tifanny Abreu encontrou respaldo dentro e fora das quadras depois que a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou uma nova exigência para a participação de jogadoras em suas competições. A entidade passou a determinar a realização de teste genético para identificação do gene SRY, medida que, na prática, impede a participação de atletas trans nos torneios organizados pela confederação.
Jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde e única atleta trans atualmente no vôlei de clubes brasileiro, Tifanny seria diretamente afetada pela mudança. Em meio à repercussão, companheiras de equipe, ex-jogadoras e nomes de destaque do voleibol nacional manifestaram solidariedade à atleta.
No último sábado, Tifanny se pronunciou publicamente sobre o caso e deixou claro que pretende defender sua trajetória profissional. "10 anos de carreira não foram em vão", afirmou a jogadora.
Uma das primeiras manifestações de maior repercussão veio de Valquíria, que atuou ao lado de Tifanny no Osasco e atualmente defende o Fluminense. Nas redes sociais da CBV, a central escreveu: "Estou sempre do teu lado, irmã".
Valquíria também esteve no ginásio no último sábado, durante a partida do Osasco, e voltou a falar sobre a situação. Para a jogadora, a carreira construída por Tifanny não deveria ser colocada em dúvida pela nova determinação.
"Ela não tem que provar nada para ninguém"
A declaração reforçou uma onda de manifestações de apoio que ganhou força nas redes sociais após o anúncio da CBV.
Entre os nomes que se posicionaram está Sheilla, bicampeã olímpica com a seleção brasileira. A ex-oposta publicou um texto nos stories e afirmou estar acompanhando os acontecimentos e o impacto que a decisão pode provocar na carreira da jogadora.
Sheilla chamou atenção para a dimensão humana do caso e ressaltou que Tifanny construiu sua trajetória profissional dentro das regras que estavam estabelecidas até então.
"No meio de tantas opiniões, discussões e julgamentos, acho importante não esquecer de quem está vivendo tudo isso. Porque tem horas em que, para além da discussão sobre regras e elegibilidade, precisamos olhar para a pessoa. Para a Tifanny. Para a atleta que construiu sua história dentro das quadras"
Capitã da seleção brasileira feminina, Gabi Guimarães também utilizou as redes sociais para se manifestar. A ponteira direcionou sua mensagem para o apoio que atletas recebem quando situações difíceis surgem e questionou quem permanece ao lado delas nesses momentos.
"Quem vai estar na guerra ao seu lado? E isso importa? Mais do que a própria guerra".
Em uma publicação extensa, Gabi também criticou a forma como a mudança foi comunicada e questionou quais interesses estão sendo considerados na decisão. A jogadora lembrou que Tifanny tem uma carreira consolidada no voleibol brasileiro e que a temporada já estava em andamento.
"Aconteceu uma mudança de rumo na última semana, que foi apenas comunicada às pessoas envolvidas. Sem explicação plausível, já que a regra internacional já existia antes, e sem nenhum olhar para um ser humano que tem uma história, que está com uma temporada em andamento e que depende do seu trabalho para viver. A mudança foi planejada ou pensada por quem? Defendendo os interesses de quem? Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tifanny, em como isso impactaria a vida dela? Já são nove anos disputando Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?" - Gabi Guimarães
A capitã ainda ampliou a crítica para além do caso específico e questionou a postura de pessoas e marcas que demonstram apoio à comunidade LGBTQIAP+ em determinados períodos, mas que, segundo ela, deixam de se manifestar quando surgem situações de conflito.
"Para tudo na vida existe bom senso, existe timing e existe a forma de ser feito. É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris para jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?"
A repercussão chegou também ao elenco do Osasco. Key Alves, líbero da equipe, publicou uma foto ao lado de Tifanny e resumiu sua posição em uma mensagem direta: "Sua luta é nossa".
Outros jogadores também demonstraram apoio. Michel Saraiva, atleta do Minas, comentou na publicação oficial do Osasco sobre o caso: "Força, Tifanny. Amo sua vida! Tamo junto".
A rede de solidariedade não ficou restrita ao Brasil. Polina Rahimova, atleta do Azerbaijão e ex-jogadora do Osasco, deixou uma mensagem no perfil de Tifanny: "Seja forte, desejo muita alegria para você!". A norte-americana Brionne Butler também se manifestou e escreveu: "Te amo".
Outra voz conhecida do voleibol brasileiro a comentar o episódio foi Fabi Alvim, bicampeã olímpica e atualmente comentarista. Na sexta-feira, após a divulgação da nova diretriz, ela publicou uma frase do poeta Manoel de Barros: "Mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez".
Fabi também elogiou a manifestação de Gabi Guimarães e, em uma publicação de Tifanny, escreveu: "Você é incrível".