Esporte

CBV segue COI e impede participação de mulheres trans em torneios

Os novos critérios passarão a valer a partir da temporada 2026/2027 da Superliga A e B

Primeira mulher trans a jogar na Superliga de Volêi, Tifanny Abreu é a representante brasileira da campanha "Impossible is Nothing", da Adidas (Reprodução/Divulgação)

Primeira mulher trans a jogar na Superliga de Volêi, Tifanny Abreu é a representante brasileira da campanha "Impossible is Nothing", da Adidas (Reprodução/Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 18h50.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira a adoção, em competições nacionais, da política de elegibilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI) para atletas da categoria feminina.

A principal mudança prevê a realização de um teste genético para verificar a presença ou ausência do gene SRY (Sex-determining Region Y), relacionado ao desenvolvimento de características sexuais masculinas. Na prática, a medida impede a participação de mulheres trans em torneios femininos abrangidos pela norma.

Em comunicado oficial, a entidade informou que a decisão segue os princípios da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, divulgada em março deste ano. O documento estabelece a análise do gene SRY como um dos critérios para elegibilidade, prevendo exceções em situações específicas definidas pela própria regulamentação.

Entre essas exceções estão casos de condições médicas raras que impedem a testosterona de produzir efeitos relacionados ao ganho de desempenho esportivo. Nessas circunstâncias, a atleta poderá passar por avaliação individual conduzida por especialistas.

A CBV também afirmou que disponibilizará, ou buscará viabilizar, acompanhamento médico independente, apoio psicológico e medidas de proteção às atletas. O suporte será especialmente importante em situações em que os exames revelem condições médicas até então desconhecidas pela esportista.

Os novos critérios passarão a valer a partir da temporada 2026/2027 da Superliga A e B. A medida também será aplicada à Supercopa de 2026, à Copa Brasil de 2027, ao Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia de 2027, na categoria adulta, e ao CBVP Challenger 2027.

A confederação ressaltou ainda que a nova política está em conformidade com as orientações da FIVB e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

Impacto sobre Tifanny

A regulamentação afeta diretamente a trajetória de Tifanny Abreu, primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro. Atualmente, a oposta integra os treinamentos do Osasco para a disputa do Campeonato Paulista, competição na qual tem estreia prevista para este sábado, 15, diante do Pinheiros.

Como o estadual não está contemplado pela nova política, Tifanny poderá participar normalmente do torneio. A situação, no entanto, é diferente em relação à próxima edição da Superliga, cuja inscrição dependerá do atendimento aos critérios estabelecidos pela CBV.

Na temporada 2024/2025, a jogadora conquistou a Superliga pelo clube paulista.

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