Eileen Gu: esquiadora chinesa se transformou em fenômeno midiático e, em 2025, era a 4a atleta feminina mais bem paga do mundo (Ezra Shaw/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 23h20.
Eileen Gu é um daqueles fenômenos raros do esporte mundial que ultrapassam as fronteiras da competição. A esquiadora de estilo livre, também conhecida como Gu Ailing, representa a China desde 2019 e chega aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 como a atleta mais bem paga da edição.
Nascida em São Francisco, nos Estados Unidos, ela é filha de pai americano e mãe chinesa, mas escolheu integrar o time olímpico asiático ao invés do norte-americano.
Aos 22 anos, Eileen já é multicampeã olímpica, poliglota, modelo e estudante da Universidade de Stanford. O impacto cultural desse estrelato transformou o esqui estilo livre em um fenômeno de massa na China.
Fenômeno do esqui: após a ascensão da atleta, o esqui se tornou febre na China (Lintao Zhang/Getty Images)
Os resultados dentro e fora das pistas transformaram Eileen Gu em uma potência comercial.
Em 2025, ela faturou US$ 23,1 milhões (cerca de R$ 120,8 milhões), o que a colocou como a quarta atleta feminina mais bem paga do mundo, segundo a Forbes, atrás apenas das tenistas Coco Gauff, Aryna Sabalenka e Iga Swiatek.
Fora do tênis, nenhuma atleta, homem ou mulher, que disputará os Jogos de Inverno de 2026 supera a fortuna de Eileen.
A maior parte da renda da esquiadora vem de contratos publicitários: ela é embaixadora de marcas como Red Bull, Porsche, IWC Schaffhausen, TCL, Anta, Louis Vuitton e Tiffany & Co.
No esporte, seus prêmios são modestos em comparação: cerca de US$ 40 mil por vitórias em etapas da Copa do Mundo e US$ 55 mil em competições como a Snow League.
Eileen Gu começou a esquiar aos 3 anos e foi campeã júnior da Associação de Snowboard e Freeski dos Estados Unidos aos 9. Ela já entrou nas competições adultas aos 13 e, aos 15, venceu sua primeira etapa da Copa do Mundo de esqui, em Seiser Alm, na Itália.
Em 2020, brilhou nos Jogos Olímpicos da Juventude de Lausanne, com ouro no halfpipe e prata no slopestyle. No ano seguinte, fez história ao conquistar três medalhas em sua estreia nos X Games, algo inédito para uma mulher: ouro no slopestyle e no superpipe, além de bronze no big air. Meses depois, venceu dois ouros e um bronze no Campeonato Mundial de Esqui Estilo Livre.
O auge veio nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022. Competindo em casa pela China, Eileen conquistou duas medalhas de ouro (big air e halfpipe) e uma de bronze (slopestyle), tornando-se a campeã olímpica mais jovem da história do esqui estilo livre e a primeira atleta a subir ao pódio três vezes na modalidade em uma única edição olímpica.
Vitórias em Pequim: com três medalhas olímpicas, Eileen se tornou uma das principais atletas da China ( Kevin Frayer/Getty Images)
Ela também entrou para a história por suas manobras: foi a primeira mulher a executar um double cork frontal 1440 e realizou um double cork 1620 logo na primeira tentativa durante uma final olímpica.
Desde então, manteve o domínio: venceu o Globo de Cristal da FIS, foi campeã do X Games novamente em 2024 e iniciou 2025 com vitória no tradicional Laax Open, na Suíça.
Paralela à carreira esportiva, Eileen Gu construiu uma presença forte no universo cultural e midiático. Modelo da IMG Models, ela já estampou capas das edições chinesas da Vogue, Marie Claire e InStyle, além de protagonizar campanhas de luxo e eventos internacionais.
A atleta também chama atenção pelo perfil acadêmico.
Estuda relações internacionais na Universidade de Stanford, fez intercâmbio na Universidade de Oxford e é fluente em inglês e mandarim, além de tocar piano.
Em entrevista de 2024 à Vogue Hong Kong, Eileen passou a falar abertamente sobre amadurecimento e saúde mental após o sucesso olímpico, defendendo uma noção de sucesso ligada ao impacto coletivo.
Seu alcance ajudou a popularizar o esqui estilo livre na China, fenômeno frequentemente chamado no país de “Efeito Eileen Gu”.