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Bradesco lidera altas do Ibovespa: 'Bradsaúde destrava valor', diz CEO

Executivos do banco afirmam que nova operação leva o mercado a reavaliar o banco e pode gerar ganho adicional aos acionistas

Marcelo Noronha, CEO do Bradesco: 'Só tem benefício, é só positivo. É tudo de bom para a organização, porque é efetivamente um movimento de destravamento de valor, em que entregamos naturalmente uma melhor posição [para] o acionista do Bradesco, que é o controlador"' (Leandro Fonseca/Exame)

Marcelo Noronha, CEO do Bradesco: 'Só tem benefício, é só positivo. É tudo de bom para a organização, porque é efetivamente um movimento de destravamento de valor, em que entregamos naturalmente uma melhor posição [para] o acionista do Bradesco, que é o controlador"' (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 13h37.

A criação da Bradsaúde, nova companhia que vai reunir os ativos de saúde do Bradesco e será listada no Novo Mercado da B3 por meio de um IPO (Oferta Pública Inicial) reverso com a Odontoprev, foi apresentada pelos executivos do banco como um movimento de "destravamento de valor" que tende a beneficiar diretamente os acionistas da instituição financeira.

Durante coletiva realizada nesta sexta-feira, 27, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, e o presidente dos conselhos de administração do Bradesco e da Odontoprev, Luiz Carlos Trabuco, detalharam os impactos da reorganização societária e defenderam que a operação deve levar o mercado a reavaliar o valor do banco.

Segundo Trabuco, os ativos de saúde estavam registrados no balanço consolidado do Bradesco apenas pelo valor patrimonial, ou seja, contábil. Com a criação de uma companhia independente e listada, o mercado passa a precificar esses ativos de forma autônoma, o que pode revelar uma "mais-valia", termo usado pelos executivos para indicar um valor superior ao que está refletido na contabilidade.

"São ativos que estão no balanço consolidado do Bradesco pelo valor patrimonial. A arte de destravar valor significa dar a real percepção do valor que o mercado vai acabar dando", afirmou Trabuco à imprensa.

"E tem mais-valia porque, se você está a valor contábil, na hora que fizer a precificação, a gente encontra mais-valia em todos os ativos da Bradsaúde. Quando você tem mais-valia, você tem um ganho", acrescentou Noronha.

Para o CEO, ao dar transparência à vertical de saúde, o mercado "refaz o valuation do banco". Noronha destacou que a operação de saúde, isoladamente, deve levar o valor de mercado da nova companhia para próximo de R$ 50 bilhões, o que altera a percepção sobre a riqueza do grupo como um todo.

"Na hora que você faz uma abertura de capital, o mercado refaz o valuation do banco, refaz o valuation da Brasil Saúde. Ele agrega valor para o acionista do Bradesco e para os acionistas minoritários também da Odontoprev", disse.

Impacto no capital e manutenção do controle

Durante a coletiva e na reunião com os analistas do mercado, realizada após o encontro com os jornalistas, os executivos também buscaram afastar qualquer preocupação sobre impactos negativos no capital do banco.

Segundo Noronha, "para o balanço do banco, não há impacto negativo no capital, ao contrário, deve haver até impactos positivos", a depender da contabilização após o fechamento da operação (closing).

Do ponto de vista societário, o Bradesco seguirá como controlador. Após a reorganização, o banco passará a deter 91,35% do capital total e votante da Bradsaúde, enquanto os atuais acionistas da Odontoprev ficarão com 8,65%.

"Naturalmente a gente vai consolidar do mesmo jeito que a gente consolida hoje. Então o banco é controlador, ele faz a consolidação global", afirmou Noronha.

"Só tem benefício, é só positivo. É tudo de bom para a organização, porque é efetivamente um movimento de destravamento de valor, em que entregamos naturalmente uma melhor posição [para] o acionista do Bradesco, que é o controlador", complementou.

Para os minoritários da Odontoprev, a principal mudança é a diversificação, segundo o CEO. Deixam de ser sócios de uma empresa focada exclusivamente em odontologia para deter participação em uma companhia "multiline", com atuação em planos de saúde, hospitais, clínicas, oncologia, healthtech e diagnósticos, em um mercado endereçável estimado em R$ 400 bilhões.

"É uma empresa com zero de endividamento. Ela não tem alavancagem nenhuma", disse Trabuco. Segundo o presidente, entre capital e provisões técnicas, a operação deve alcançar cerca de R$ 30 bilhões, conferindo capacidade de crescimento "imune" a pressões financeiras no curto prazo.

Ações do Bradesco sobem e destoam do setor

O mercado reagiu positivamente ao anúncio. Por volta das 13h03 desta sexta, as ações ordinárias do Bradesco (BBDC3) subiam quase 3%, enquanto as preferenciais (BBDC4) avançavam 3,62%.

O movimento destoa do restante do setor bancário no mesmo horário. As ações dos grandes bancos operavam em queda e ajudavam a pressionar o Ibovespa, que recuava perto de 0,40%.

Os papéis do Bradesco eram os únicos entre os grandes bancões a registrar alta no pregão, indicando que investidores podem ver potencial de geração de valor adicional com a criação da Bradsaúde.

Com receita de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários e uma estrutura que inclui cerca de 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas, a nova companhia nasce como um dos maiores ecossistemas integrados de saúde do país.

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