Jürgen Klopp durante entrevista coletiva pela seleção alemã, na sua primeira convocação nacional. (Foto: DFB)
Redator na Exame
Publicado em 19 de setembro de 2026 às 06h20.
RESUMO | Em sua primeira convocação à frente da seleção da Alemanha, o técnico Jürgen Klopp utilizou um boné simbólico e adotou forte discurso político em coletiva, defendendo o "patriotismo positivo" e afirmando que não quer deixar o orgulho nacional nas mãos da extrema-direita, em meio ao crescimento do partido AfD no país.
A divulgação da primeira convocação da seleção da Alemanha sob o comando de Jürgen Klopp — uma lista com 44 atletas para os compromissos pela Liga das Nações contra Países Baixos, Grécia e Sérvia — acabou ficando em segundo plano diante de um forte posicionamento político do treinador. Logo na chegada à sala de imprensa, o técnico chamou a atenção ao utilizar um boné nas cores da bandeira alemã com os dizeres “um entre 83 milhões”, fazendo referência direta à população do país e enviando um claro recado em meio ao cenário conturbado pós-eleições estaduais.
O gesto e as declarações do ex-técnico do Liverpool ocorreram logo após o avanço expressivo do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado da Saxônia-Anhalt, onde a legenda conquistou mais de 43% dos votos e 39 cadeiras legislativas. O resultado acendeu alertas no cenário político e social alemão, uma vez que o partido é classificado por serviços de inteligência locais como extremista de direita — classificação rejeitada pela legenda —, consolidando um crescimento de pautas nacionalistas e anti-imigração especialmente em regiões de declínio industrial da antiga Alemanha Oriental.
Questionado pelos jornalistas sobre o significado do boné e o contexto político do país, Klopp adotou tom direto. Embora tenha ressaltado não ser um especialista em política, o treinador defendeu o conceito de “patriotismo positivo” e enfatizou que o esporte precisa atuar como ferramenta de união comunitária.
"Quero resgatar a bandeira para nós. Quero que sempre acenemos com ela de uma forma que ninguém pense: “O que há de errado com você?”, mas sim que as pessoas simplesmente sintam que você é feliz e entendam a sorte que você tem de ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso", declarou o técnico. "Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas. Sinto orgulho em fazer este trabalho. Quando dedicamos tempo ao futebol, o objetivo é fomentar um senso de comunidade e nos fazer sentir melhor", disse.
Ao comentar os reflexos das urnas, Klopp ponderou que o resultado gerou reações polarizadas na sociedade, dividindo opiniões entre aqueles que apoiaram o avanço e os que expressaram preocupação com o futuro democrático do país diante das projeções para os próximos pleitos federais. Encerrando seu posicionamento, o comandante reafirmou que identidade nacional e abertura para o mundo podem caminhar juntas:
Posso ter orgulho de ser alemão e ainda assim ser uma pessoa de mente aberta, diversa, gentil e amigável. Na verdade, acho que somos um país maravilhoso.Além da convocação para a Liga das Nações, o posicionamento político do treinador sobre a ascensão da extrema-direita e o orgulho nacional dominou a pauta.
O acessório trazia as cores da bandeira nacional e a frase “um entre 83 milhões”, em referência à população da Alemanha.
O partido AfD obteve mais de 43% dos votos e 39 cadeiras na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, demonstrando forte crescimento na região oriental.
O treinador defendeu o “patriotismo positivo”, afirmando que é possível ter orgulho do país sem abrir mão da diversidade, da gentileza e da mente aberta.