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Libertadores começa hoje com times brasileiros 'bilionários' como favoritos

Valor de mercado dos elencos, patrocínios e gestão financeira escancaram abismo clubes sul-americanos

Copa Libertadores: times brasileiros venceram as sete últimas edições do torneio (Conmebol/Divulgação)

Copa Libertadores: times brasileiros venceram as sete últimas edições do torneio (Conmebol/Divulgação)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 7 de abril de 2026 às 15h44.

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A fase de grupos da Copa Libertadores 2026 começa nesta terça-feira, 7, e o Brasil é o grande favorito para levar a taça, especialmente com a ausência do argentino River Plate.

Times brasileiros venceram as últimas sete edições do torneio. O último estrangeiro a conquistar o título foi o River Plate, na edição de 2018. De lá para cá, Flamengo (2019, 2022 e 2025), Palmeiras (2020 e 2021), Fluminense (2023) e Botafogo (2025), conquistaram troféus. Dos 14 finalistas neste período, apenas dois eram argentinos; o River Plate, em 2019, e o Boca Juniors, em 2023.

Em 2026, Flamengo e Palmeiras novamente aparecem entre os principais favoritos ao título, enquanto o Corinthians tenta retomar o protagonismo internacional.

Valores de mercado do futebol sul-americano

A disparidade dentro e fora dos gramados envolvendo times do Brasil e Argentina passa pela diferença nos números de premiações e patrocínios.

De acordo com dados do Transfermarkt, o Brasil domina o Top-5 de valor de mercado dos elencos sul-americanos:

  1. Palmeiras — R$ 1,23 bilhão
  2. Flamengo — R$ 1,21 bilhão
  3. Cruzeiro — R$ 915,75 milhões
  4. Corinthians — R$ 848,65 milhões
  5. Fluminense — R$ 637,45 milhões
  6. Boca Juniors — R$ 508,75 milhões
  7. Rosario Central — R$ 261,25 milhões
  8. Peñarol — R$ 225,5 milhões
  9. Estudiantes — R$ 221,65 milhões
  10. Lanús — R$ 220,55 milhões

Em 2025, o Brasil igualou o número de taças da Argentina na disputa, com 25 cada.

Esses resultados impulsionam não apenas investimentos no futebol brasileiro, mas também em todo um ecossistema que envolve clubes, torcedores e países sul-americanos.

"Percebemos um grande crescimento de torcedores interessados em viver de perto não só a Libertadores, mas também a Sul-Americana, especialmente nas fases decisivas. O torcedor brasileiro entende que há uma grande chance de ver seu clube chegando ao menos às semifinais, e por isso passa a se planejar com mais antecedência”, afirma Joaquim Lo Prete, executivo da agência esportiva ABSOLUT Sport.

Disparidade técnica e financeira

Especialistas afirmam que, além dos valores de mercado e de elenco, o futebol argentino não se modernizou em termos de estratégia financeira, captação de recursos e comercialização de direitos, o que afeta diretamente a performance.

Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia, explicou que a ascensão de vários clubes brasileiros foi impulsionada por mais público nos estádios, maior venda de patrocínios e melhor negociação dos direitos. No futebol nada é definitivo, mas há uma tendência de que os grandes clubes do Brasil, bem organizados e financeiramente estruturados, sigam ampliando esse domínio nos próximos anos. A grande diferença no futebol brasileiro não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas", afirmou.

Outra discrepância está nos valores de patrocínios entre os clubes. Os contratos do atual campeão da Libertadores, o Flamengo, superam os R$ 260 milhões anuais, enquanto os do seu primeiro adversário, o Lanús, deva atingir algo próximo de R$ 12 milhões anuais.

As premiações também acentuam essa diferença. O campeão do Brasileirão pode ganhar até R$ 60 milhões, enquanto da Copa do Brasil varia entre R$ 95 e R$ 100 milhões. Já o campeão argentino recebe 500 mil dólares, aproximadamente R$ 2,8 milhões pela cotação atual, e o campeão da Copa Argentina recebe US$ 170 mil dólares (R$ 920 mil reais).

"A disparidade entre as premiações pagas pelas competições brasileiras e aquelas pagas em território argentino talvez seja a mesma distância que nossas ligas têm em relação às principais competições do velho continente", afirma Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo. "Além disso, tal qual ocorre em relação à Europa, os valores muito superiores pagos pelas competições brasileiras em comparação com as argentinas também são explicados pela diferença entre nossa economia e a de nossos vizinhos".

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