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Após 5 anos da lei, apenas 8 SAFs estão na Série A do Brasileirão

Brasil soma 117 SAFs, mas elite do futebol mantém adesão limitada ao modelo

Brasileirão 2026: campeonato começa nesta quarta-feira, 28 (Lucas Figueiredo/CBF/Flickr)

Brasileirão 2026: campeonato começa nesta quarta-feira, 28 (Lucas Figueiredo/CBF/Flickr)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h15.

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O Campeonato Brasileiro começa na próxima quarta-feira, dia 28 de janeiro, com oito clubes organizados como Sociedade Anônima do Futebol (SAF) na Série A. O número reflete um avanço tímido do modelo entre as equipes da elite, mesmo após quase cinco anos da promulgação da Lei 14.193/21.

Na primeira divisão, atuam como SAF Athletico-PR, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense e Vasco da Gama.

Segundo levantamento do IBESAF (Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento), divulgado no fim de 2025, o Brasil alcançou 117 clubes registrados como SAF, considerando apenas empresas com CNPJ ativo até 22 de julho de 2025. Na atualização anterior, em fevereiro, o número era de 99.

A discussão sobre o tema ganhou força com a reforma tributária, que impôs mudanças no ambiente fiscal do futebol. A partir de 2027, clubes associativos passarão a pagar IBS e CBS, com carga estimada em 10,8% sobre a receita bruta, além de 5% de INSS, totalizando cerca de 16%. As SAFs, por sua vez, permanecem no Regime de Tributação Específica do Futebol (TEF), com alíquota de 8,5%.

O Fluminense foi o último clube considerado de elite a se transformar em SAF, no fim de 2025. Para especialistas, o movimento pode sinalizar uma nova etapa do modelo no país, impulsionada pela busca de eficiência fiscal.

“Eu acredito que pouquíssimos clubes permanecerão como associação a partir de 2027, justamente porque o modelo associativo vai ficar mais caro que o empresarial”, diz Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo.

Maioria das SAFs está fora das divisões nacionais

Apesar do crescimento no número de SAFs, 84 clubes não disputam nenhuma das quatro divisões do Campeonato Brasileiro. A maior concentração está entre equipes de menor porte, com estruturas associativas reduzidas e menor capacidade de geração de receitas.

“Comparados aos clubes de maior porte, os times menores não enxergam alternativa além da SAF para atrair investidores e recursos”, afirma Cristiano Caús.

O estado de São Paulo lidera o ranking, com 29 SAFs, seguido por Paraná, com 15, e Minas Gerais, com 13. Nenhuma das SAFs paulistas está atualmente na Série A.

SAFs acumulam R$ 1 bilhão em prejuízo e colocam modelo de gestão do futebol em xeque

Caso de sucesso no Mato Grosso

Entre os exemplos citados como consolidados por especialistas, está o Cuiabá. O clube mato-grossense, que já operava como empresa antes da lei, investiu mais de R$ 50 milhões em um centro de treinamento e permaneceu quatro temporadas consecutivas na Série A.

Para Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, o impacto mais relevante da legislação foi a entrada de capital no futebol. “Na minha visão, ainda é só o início desta transformação, com muitas empresas do exterior querendo investir aqui”, afirma.

A expectativa dos especialistas para os próximos anos envolve a criação de uma liga nacional, onde SAFs e clubes associativos devem coexistir, com maior previsibilidade e transparência de receitas e exigência de profissionalização.

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