Repórter
Publicado em 29 de junho de 2026 às 11h50.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a final da Copa do Mundo de 2026, marcada para ser disputada em Nova York/Nova Jersey, poderá ocorrer sob condições de calor extremo devido à onda de calor prevista para atingir os Estados Unidos nos próximos dias.
Segundo um relatório da Secretaria da ONU para as Mudanças Climáticas, o aumento das temperaturas é consequência dos efeitos das mudanças climáticas e representa riscos para atletas, torcedores e a organização do torneio.
O documento destaca que a decisão do Mundial está entre as partidas com maior probabilidade de registrar níveis elevados de estresse térmico, medidos pelo índice de temperatura de bulbo úmido (WBGT), que considera fatores como temperatura, umidade, radiação solar e velocidade do vento.
Além da final, duas partidas das quartas de final e a disputa pelo terceiro lugar também podem ser afetadas pela onda de calor prevista para este fim de semana.
Segundo a ONU, pelo menos 26 dos 104 jogos da Copa estão programados para ocorrer em condições classificadas como de calor extremo. Em 97 partidas, há risco de temperaturas capazes de comprometer o desempenho físico dos jogadores.
Os efeitos das altas temperaturas já foram sentidos durante a fase de grupos. As partidas entre Arábia Saudita e Uruguai e entre Suécia e Tunísia foram disputadas com temperaturas acima de 28°C, patamar em que o sindicato internacional dos jogadores profissionais, Fifpro, recomenda o adiamento ou atraso dos jogos.
O Mundial também registrou um fato inédito desde 1974: a interrupção por duas horas da partida entre França e Iraque devido a uma tempestade elétrica.
Segundo a ONU, o calor extremo não afeta apenas os atletas. Enquanto as seleções contam com acompanhamento médico constante, torcedores permanecem expostos às altas temperaturas em filas, áreas externas dos estádios e no transporte público.
A entidade informou que, apenas no dia da abertura da Copa, mais de 100 pessoas precisaram de atendimento médico por problemas relacionados ao calor, e quatro delas foram hospitalizadas.
"Faz calor para os jogadores, para os torcedores, para todos. São as mudanças climáticas. O planeta está se aquecendo após mais de um século queimando combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás", afirmou Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para as Mudanças Climáticas.
O relatório aponta que cidades-sede localizadas no sul e no interior dos Estados Unidos, além de sedes no México, estão entre as mais vulneráveis às temperaturas extremas.
Estádios ao ar livre em cidades como Miami, Kansas City e Filadélfia apresentam maior probabilidade de registrar níveis perigosos de calor, cenário que pode influenciar tanto a saúde de jogadores e torcedores quanto o equilíbrio esportivo da competição.
*Com EFE