O presidente Lula durante convenção nacional do PT em SP (Miguel SCHINCARIOL/AFP)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 14h47.
O governo brasileiro espera o anúncio, nos próximos dias, de novas sanções diplomáticas contra o Brasil por parte do governo dos Estados Unidos.
A medida seria uma resposta da Secretaria de Estado dos EUA à decisão do Brasil de negar vistos a Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e a Samuel Samson, subsecretário-adjunto, que viriam ao país em uma missão diplomática e se reuniriam com Flávio Bolsonaro.
O cenário considerado mais factível pelo governo brasileiro é que os EUA recusem ou revoguem vistos a oficiais brasileiros. Há também a possibilidade de que os americanos voltem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da Lei Magnitsky. A norma americana, voltada a punir condenados por corrupção e violadores dos direitos humanos, bloqueia ativos nos Estados Unidos, revoga seus vistos e impede que empresas americanas mantenham relação com os sancionados.
Moraes e a esposa, Viviane Barsi de Moraes, chegaram a ser incluídos no rol de punidos pela Magnitsky no ano passado, mas foram retirados da lista em dezembro de 2025. O blogueiro Paulo Figueiredo, que tem influência junto à Secretaria de Estado americana, já solicitou formalmente o retorno da sanção.
Como a EXAME noticiou, os dois funcionários americanos solicitaram reuniões com autoridades brasileiras para abordar urnas eletrônicas e a embaixada dos EUA no Brasil informou que a comitiva se encontraria com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O perfil ideológico dos dois funcionários do Departamento americano acendeu um alerta no governo brasileiro, que decidiu negar o visto por considerar que ambos teriam como objetivo corroborar teorias da conspiração sobre o processo eleitoral brasileiro, em sintonia com o discurso bolsonarista.