O presidente da FIFA, Gianni Infantino, durante a final da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos. (Harry Langer/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 14h54.
RESUMO | Em carta aberta enviada ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, os chefes da UEFA e da CONCACAF solicitaram uma revisão independente das reservas financeiras da entidade e propuseram um repasse total de US$ 2,1 bilhões (aproximadamente R$ 11,5 bilhões) para as 211 associações membros entre o ciclo de 2027 e 2030.
A cúpula do futebol mundial voltou a enfrentar turbulências nos bastidores políticos e financeiros. De acordo com reportagem da Reuters, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, e o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, uniram forças para desafiar a gestão de Gianni Infantino, exigindo uma auditoria independente nas contas da entidade máxima do esporte e o lançamento de um pacote adicional de investimentos diretos para as federações nacionais.
A proposta encabeçada pelos dois vice-presidentes da FIFA prevê a disponibilização de pelo menos US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) para cada uma das 211 associações membros durante o ciclo financeiro compreendido entre 2027 e 2030. O montante global de US$ 2,1 bilhões serviria especificamente para o fortalecimento de infraestrutura e projetos de desenvolvimento local, operando como um bônus completamente desvinculado e complementar ao tradicional Programa Forward já executado pela federação internacional.
O estopim para a cobrança pública veio na sequência do abandono do plano batizado de FIFA Forward Enterprise (FFE), uma iniciativa anterior que pretendia atrair capital de investidores externos através da comercialização de fatias nos torneios organizados pela entidade. Diante de fortes reações negativas de federações e torcedores, a ideia foi engavetada, embora Infantino continue cotado para buscar mais um mandato nas eleições previstas para março de 2027, sem opositores declarados até o momento.
No entanto, o levantamento preliminar conduzido por Ceferin e Montagliani com base em balanços publicados levantou dúvidassobre a real necessidade daquela transação comercial. Os dirigentes apontam que a FIFA está caminhando para encerrar o ciclo atual (2023–2026) com um montante estimado em US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 33 bilhões) em reservas financeiras — o maior patamar da história da organização. A argumentação central sustenta que o caixa próprio da instituição já tem robustez suficiente para remunerar e abastecer o ecossistema do futebol sem depender de injeções de fundos privados externos.
Segundo a Reuters, na visão dos líderes da UEFA e da CONCACAF, mesmo após a injeção do pacote de US$ 2,1 bilhões nas contas das federações locais, o saldo de reservas da FIFA não desceria abaixo de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,2 bilhões) em nenhum momento do próximo quadriênio, valor que ainda representaria uma margem 50% superior ao limite mínimo orçado pela própria entidade para o período de 2023 a 2026.
Por essa razão, a carta endereçada a Infantino defende que o acesso aos recursos não pode ser tratado como um instrumento de barganha política ou de discricionariedade individual, mas sim como uma obrigação institucional permanente. Os dirigentes pretendem angariar o apoio formal dos presidentes das outras quatro confederações continentais para submeter formalmente as recomendações e os estudos de viabilidade econômica durante a próxima reunião do Conselho da FIFA.
Os dirigentes exigem uma revisão independente nas contas da entidade e propõem um repasse de US$ 2,1 bilhões às associações membros para o ciclo 2027–30.
O plano prevê disponibilizar pelo menos US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) adicionais para cada uma das 211 associações membros.
Segundo os líderes continentais, a entidade caminha para fechar o ciclo de 2023–26 com um recorde histórico de cerca de US$ 6 bilhões em caixa.
As críticas intensificaram-se após o fracasso e abandono do projeto FIFA Forward Enterprise, que planejava vender partes de competições para investidores externos.
Não. Os proponentes esclareceram que a nova verba funcionará de forma totalmente independente e somada aos repasses regulares já existentes.