Carlo Ancelotti: treinador é um dos estrangeiros na disputa da Copa do Mundo (Foto: Roger Wimmer/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images)
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Publicado em 17 de abril de 2026 às 10h52.
O alto número de técnicos estrangeiros não é uma exclusividade do futebol brasileiro e também aparece entre as seleções nacionais. A tendência voltou a ficar evidente com o anúncio do português Carlos Queiroz como novo comandante de Gana.
Segundo levantamento de O Globo, 26 das 48 seleções que disputarão a Copa do Mundo serão comandadas por treinadores estrangeiros. Isso significa que mais da metade das participantes terá técnicos de outro país.
O número era ainda maior com Hervé Renard, que dirigia a Arábia Saudita, mas o treinador pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, 17.
O dado representa um aumento significativo em relação ao Mundial de 2022. Na edição realizada no Catar, apenas nove técnicos estrangeiros comandavam as 32 seleções participantes. Agora, em 2026, com a expansão do torneio para 48 equipes, a quantidade praticamente triplicou.
A maior concentração de treinadores estrangeiros vem da França e da Argentina, com seis representantes cada. Em muitos casos, eles comandam seleções que compartilham o mesmo idioma ou proximidade cultural com seus países de origem.
Mesmo em maioria, os técnicos estrangeiros tentam quebrar uma escrita histórica: em 22 edições da Copa do Mundo FIFA, nenhum treinador nascido fora do país campeão levantou a taça. Todas as seleções campeãs tiveram comandantes nacionais.
Outro dado que chama atenção é a ausência de treinadores brasileiros no torneio de 2026. Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, não haverá nenhum comandante nascido no Brasil entre as seleções classificadas. Em edições anteriores, ao menos um representante brasileiro sempre esteve presente, geralmente à frente da própria seleção.
Atualmente sob o comando do italiano Carlo Ancelotti, a Seleção Brasileira também passa a integrar a estatística de equipes dirigidas por estrangeiros.
Um dos motivos para essa ausência pode estar ligado ao cenário interno do futebol brasileiro. Em entrevista ao jornal O Globo, o comentarista Carlos Eduardo Mansur avaliou que a falta de estabilidade, a pressão constante por resultados e a pouca abertura para projetos mais duradouros prejudicam a reputação e o desenvolvimento dos treinadores nacionais.
Sylvinho, que comandava a Albânia, esteve perto de garantir vaga no Mundial, mas a equipe acabou eliminada na repescagem, ao perder a semifinal para a Polônia.