Chuteiras das jogadores enfileiradas durante treino na Espanha (Lívia Villas Boas / CBF)
Repórter
Publicado em 28 de junho de 2026 às 06h58.
Com início marcado para 24 de junho de 2027, a Copa do Mundo Feminina entra oficialmente na contagem regressiva.
Após a sanção da Lei Geral do torneio, o Brasil avança na organização do evento, que será disputado em dez arenas e deve impulsionar a infraestrutura esportiva, o desenvolvimento da modalidade, a inovação tecnológica e o interesse de marcas e torcedores em todo o país.
A Lei Geral da Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 reúne as garantias exigidas para a realização da competição no país. O evento mobilizará diferentes setores ligados à infraestrutura, tecnologia e operação dos estádios.
Distribuídas por diferentes regiões do Brasil, as oito cidades-sede já definidas para o Mundial receberão partidas em arenas que também foram utilizadas na Copa do Mundo masculina de 2014. O Maracanã, no Rio de Janeiro, será o principal palco da competição e receberá tanto a partida de abertura, em 24 de junho, quanto a final, marcada para 25 de julho.
Os estádios escolhidos são: Maracanã, Beira-Rio, em Porto Alegre, Neo Química Arena, em São Paulo, Mané Garrincha, em Brasília, Mineirão, em Belo Horizonte, Castelão, em Fortaleza, e Arena Pernambuco, em Recife.
Entre as sedes confirmadas, o Beira-Rio ganha um apelo diferente. O estádio do Internacional se destaca por ser o único brasileiro a ter sua casa em todas as edições da Copa do Mundo realizadas no país
“É um orgulho imenso para o Internacional estar novamente no centro de um evento global dessa magnitude e se tornar o único clube brasileiro a ser sede em todas as edições da Copa do Mundo realizadas no país. Trata-se da consolidação do Beira-Rio como um dos principais estádios do Brasil, preparado para atender aos mais altos padrões exigidos por competições internacionais”, ressalta Rosângela de Campos, diretora de Futebol Feminino do clube.
A World Sports, empresa especializada na construção e manutenção de gramados esportivos, atuou de forma direta em 8 das 12 arenas que sediaram a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Um dos exemplos foi a introdução do sistema de reforço híbrido conhecido como Stitching (costura de fibras sintéticas no gramado natural), técnica que agora se tornou recomendação oficial da FIFA para todos os campos que sediam suas competições.
Outro case da marca foi a implementação do sistema de resfriamento subterrâneo de gramado da história das Copas, na Neo Química Arena, em SP, local que também sediará o Mundial de 2027.
“O Brasil terá uma vitrine enorme para o mundo no próximo ano e isso passa também pela qualidade dos gramados. Um gramado de qualidade influencia diretamente o nível técnico das partidas, o desempenho dos atletas e até a prevenção de lesões. Nos últimos anos, o país avançou bastante nesse aspecto, com investimentos em tecnologia, inovação e profissionais cada vez mais especializados”, afirma Roberto Gomide, founder & CEO da World Sports, empresa que também cuidou dos gramados das Copas do Mundo Femininas Sub-20 na Costa Rica, em 2022, e na Colômbia, em 2024.
A modernização das arenas brasileiras conta, além da estrutura física, com a forma como o torcedor acessa e vivencia os jogos. Tecnologias como reconhecimento facial, QR Code dinâmico e plataformas integradas de venda de ingressos podem ter papel importante na experiência do público caso implementadas durante a Copa do Mundo Feminina de 2027.
“Os grandes eventos esportivos exigem operações cada vez mais inteligentes e seguras, e a tecnologia tem um papel fundamental nessa evolução. Um dos principais avanços que estamos implementando é o facial 2.0, uma solução mais robusta, que traz uma camada extra de segurança ao exigir prova de vida e upload de documento, garantindo que o portador do ingresso seja realmente quem está acessando o estádio”, afirma Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, empresa que faz gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor no país.
"A Copa do Mundo de 2027 será um divisor de águas para a modalidade", diz Ruskaya Zanini, Chief Operating Officer (COO) da FSports, agência que detém os direitos do futebol feminino da CBF no ciclo 2025–2029. "As empresas vêm percebendo o futebol feminino como um ativo que vai além do nicho e que tem potencial enorme de engajamento, de awareness e de apelo social. Sediar o Mundial em arenas modernas coloca o Brasil em uma posição comercial privilegiada, porque operar eventos como esse com tecnologia de ponta eleva o patamar de entrega para quem investe no esporte", afirma.
"Durante muito tempo parecia que trazer uma Copa do Mundo feminina para o Brasil nunca aconteceria. Estarmos há um ano de realizarmos esse sonho representa um reconhecimento para gerações de jogadoras que ajudaram a construir a modalidade no país, muitas vezes com pouca estrutura. A modalidade que mais cresce na FIFA hoje é o futebol feminino", completa Thais Picarte, coordenadora do futebol feminino do Santos e ex-goleira da seleção brasileira.