COI quer expandir o cuidado com os atletas de elite e criou protocolo para tratar da saúde mental. (Cameron Spencer/Getty Images) (Cameron Spencer/Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 16h17.
RESUMO | O Comitê Olímpico Internacional (COI) está incentivando o desenvolvimento de protocolos mais robustos de saúde mental e exames de rastreamento precoce para atletas de elite, buscando combater o mito de que competidores de alto nível são "mentalmente inabaláveis" diante de pressões, lesões e exaustão.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) está intensificando seus esforços para incentivar modalidades esportivas de alto rendimento em todo o mundo a desenvolverem protocolos mais robustos de saúde mental para os atletas. A iniciativa busca transformar a abordagem tradicional em relação ao bem-estar psicológico nas equipes profissionais e olímpicas.
Atletas de elite estão constantemente expostos a uma série de fatores específicos do esporte que podem aumentar significativamente sua vulnerabilidade a problemas psicológicos. Entre os principais elementos de risco encontram-se o excesso de treinamento, lesões graves, o esgotamento físico e emocional conhecido como burnout, pressões intensas relacionadas ao desempenho, o escrutínio público constante e episódios de abusos nas redes sociais.
Apesar desses perigos evidentes, os competidores costumam ser vistos socialmente como exemplos de resiliência inabalável. Esse cenário fomenta o mito do atleta "à prova de balas", uma ideia equivocada que frequentemente obscurece a realidade do impacto profundo que o esporte de elite exerce sobre a saúde mental.
Para romper com essa cultura de silêncio, a estratégia recente aposta no rastreamento regular e na intervenção precoce por meio de questionários breves aplicados em momentos estratégicos, permitindo identificar sinais iniciais de sofrimento psicológico e direcionar os competidores para o suporte especializado antes que o quadro evolua para uma crise.
O processo de triagem e rastreamento psicológico, contudo, exige um ambiente rigorosamente ético e confidencial para evitar consequências indesejadas, como o estigma ou o receio de que as informações sejam usadas contra os atletas. Especialistas enfatizam que os questionários jamais devem servir como ferramenta para excluir competidores de equipes com base em avaliações superficiais; sua finalidade exclusiva é o cuidado e o suporte ao bem-estar. Enquanto o esporte de elite dispõe de recursos financeiros e estrutura profissional para implementar tais medidas, o cenário muda nos âmbitos comunitários e amadores.
Nos contextos esportivos locais que carecem de profissionais qualificados, a recomendação é priorizar diretrizes de alfabetização em saúde mental, capacitação de treinadores, redução de estigmas e a criação de planos de ação para respostas a incidentes críticos. O avanço na conscientização sobre a importância do bem-estar psicológico representa um marco importante, cujo próximo grande desafio é transformar os ambientes de treinamento em espaços capazes de prevenir ativamente os fatores de estresse inerentes à alta competição.
Para combater o mito do atleta "mentalmente inabalável" e promover a intervenção precoce contra estresse, burnout e transtornos psicológicos.
O documento sugere avaliações no início de temporadas, após grandes eventos, em períodos de lesões significativas e durante a transição de carreira ou aposentadoria.
Não. O rastreamento tem como único objetivo facilitar o acesso a suporte especializado, sendo terminantemente proibido o seu uso para punir ou afastar atletas de competições.
Não necessariamente. Especialistas ressaltam que, caso não haja profissionais qualificados e um ambiente ético garantido, o rastreamento não deve ser realizado no esporte comunitário, focando-se em diretrizes de conscientização.
Lesões, pressões por desempenho, excesso de treinamento, esgotamento físico e emocional (burnout) e exposição a cobranças públicas e nas redes sociais.