Danilo é um dos destaques do Botafogo nesta temporada (Wagner Meier/Getty Images)
Repórter
Publicado em 23 de abril de 2026 às 10h45.
A Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Botafogo apresentou pedido de recuperação judicial com uma extensa lista de credores. Segundo levantamento publicado pela ESPN, o montante devido a clubes, jogadores, técnicos, empresários e fornecedores chega a R$ 1.119.102.671,96.
Entre os credores nacionais, destacam-se o Santos, com R$ 22,2 milhões, e o Grêmio, com R$ 20,4 milhões. Também figuram na lista o Ceará (R$ 5,2 milhões), o São Paulo (R$ 4,1 milhões), além de valores menores para Volta Redonda, Portuguesa, Nova Iguaçu e Hercílio Luz.
No exterior, os números são ainda mais expressivos. O Botafogo deve R$ 191 milhões ao Atlanta United, R$ 118 milhões ao Nottingham Forest, R$ 67 milhões ao Benfica e R$ 56 milhões ao Zenit. O Ludogorets, que acionou o clube na Fifa e provocou um transfer ban, tem a receber R$ 37 milhões. Outros credores incluem Udinese, Lyon, Vélez Sarsfield, Nacional (Uruguai) e Braga.
Entre os profissionais, o atacante Igor Jesus aparece com R$ 17,2 milhões a receber. O jovem Nathan Fernandes tem direito a quase R$ 5 milhões, enquanto o técnico Renato Paiva figura com R$ 2 milhões. Também estão na lista valores devidos a Bruno Lage, Mastriani, Gabriel Bahia, Tiquinho Soares, Lucas Perri e outros atletas.
O clube ainda deve cifras elevadas a instituições financeiras e empresas. Entre elas, a GDA Luma Onshore (R$ 124,8 milhões), a Oliveira Trust (R$ 67,5 milhões) e o Macquarie Bank (com unidades em Paris e Londres somando mais de R$ 110 milhões).
O aponta que o clube alvinegro passou a enfrentar um quadro de pressão financeira combinado a uma disputa de governança entre o modelo associativo e o investidor John Textor, responsável pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Na última semana, o Botafogo informou, por meio de laudo econômico, uma dívida de cerca de R$ 1,6 bilhão com vencimento em até 12 meses. O documento também indica um passivo de longo prazo de R$ 1,1 bilhão, elevando o total para R$ 2,7 bilhões. Segundo o relatório, o cenário representa risco à continuidade operacional do clube.
Textor assumiu a posição de acionista majoritário em 2022, quando incorporou o passivo acumulado e anunciou investimentos próximos de R$ 400 milhões no futebol. Sob essa estrutura, houve intervenções na infraestrutura do centro de treinamento e do Estádio Nilton Santos, além da ampliação do uso de análise de mercado, com foco em atletas em fim de contrato ou com menor visibilidade.
A estratégia de crescimento ganhou ritmo antes do previsto. No segundo ano da SAF, o clube assegurou vaga na Libertadores, o que levou à ampliação dos investimentos e à chegada de reforços como Luiz Henrique e Thiago Almada. Em 2024, o volume aplicado em contratações alcançou R$ 534,6 milhões, temporada que terminou com títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
O desempenho esportivo impactou as finanças. A receita atingiu R$ 700 milhões no período, enquanto o valor do elenco chegou a R$ 950 milhões, segundo balanço divulgado com atraso de quatro meses.