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Unitree: empresa se tornou pública em Xangai nesta semana (Marc Tawil)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 14h23.
A Unitree viveu dois dias opostos na bolsa de Xangai. Depois de disparar quase seis vezes na estreia, as ações da fabricante chinesa de robôs recuaram 11% nesta quinta-feira, 20. No mesmo dia, o fundador e CEO da empresa, Wang Xingxing, disse que o setor está perto de um salto comparável ao que o ChatGPT provocou na inteligência artificial (IA) em 2022.
Segundo Wang, a indústria caminha para um ponto em que um robô poderá ser colocado em um ambiente desconhecido e cumprir a maior parte de suas tarefas apenas com comandos de voz ou texto — sem programação prévia para aquele espaço específico.
A meta declarada pela Unitree é que seus robôs consigam executar sozinhos cerca de 80% das tarefas domésticas. Wang chama isso de ponto de virada para o crescimento do setor, mas evita cravar uma data: fala em dois a três anos para um avanço relevante no software dos robôs, em um cenário otimista, ou até dez anos, no mais conservador.
O motivo do atraso, segundo ele, está nos chamados modelos de mundo — sistemas que ensinam o robô a entender e se mover pelo espaço físico ao redor. É onde a Unitree hoje concentra a maior parte de seu investimento, e onde o próprio CEO admite que a empresa ainda está atrás.
Wang He, fundador da concorrente Galbot, arrisca uma data mais precisa: 2028, quando prevê que os robôs conseguirão fazer entre 70% e 80% das tarefas do dia a dia sem qualquer treinamento especializado.
A cautela dos dois executivos destoa do entusiasmo em torno da Unitree nos últimos dias — inclusive da própria disparada nas ações da empresa. Um analista do setor chegou a classificar o discurso de Wang como incomumente sóbrio para o momento.
Os números por trás da euforia, no entanto, são fortes. A China entregou mais de 40 mil robôs humanoides só no primeiro semestre deste ano, o que representa 97% de todos os embarques do tipo no mundo. Pequim vê nos robôs uma saída para a redução da força de trabalho do país, sobretudo em tarefas repetitivas e de risco.
O domínio chinês já virou disputa geopolítica. No mês passado, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) proibiu a importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados fora do país, alegando risco à segurança nacional — uma barreira direta às fabricantes chinesas, que agora tentam se expandir para outros mercados.