Carreira

O que diferencia os líderes em um mercado em transformação, segundo headhunter da Randstad

O gerente sênior da Randstad Professional conta como uma pergunta feita durante um processo seletivo mudou sua carreira e defende que liderança hoje se constrói pela influência, não pelo cargo

Guilherme Filgueiras, gerente sênior da especialização Randstad Professional

Guilherme Filgueiras, gerente sênior da especialização Randstad Professional

Publicado em 20 de agosto de 2026 às 14h29.

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Guilherme Filgueiras trabalhava na área comercial de uma empresa de logística quando se candidatou a uma vaga em uma consultoria de recrutamento e seleção. Durante o processo seletivo, ouviu uma pergunta que não esperava: nunca tinha pensado em ser headhunter?

"Eu não sabia, né, o que realmente era isso, o que faz, como se alimenta, onde vive", lembra. A curiosidade despertada naquele momento definiu o rumo profissional que ele segue há quase 15 anos. 

Hoje, Filgueiras é gerente sênior da especialização Randstad Professional, área com foco em recrutamento de talentos especializados e executivos, cargo que ocupa desde dezembro de 2022. A Randstad tem presença no Brasil desde 2011.

Natural de Santos, no litoral paulista, Filgueiras construiu a carreira em São Paulo. Antes de migrar para o recrutamento, atuou em áreas comerciais, incluindo a Águia Química e a Saraiva Equipamentos, empresas ligadas a insumos industriais e transporte de carga. 

A entrada no universo de recrutamento e seleção aconteceu por volta de 2013, quando ingressou em uma empresa de consultoria de RH, consultoria onde permaneceu por quase nove anos, passando por diferentes divisões, de vendas a operações e saúde.

Da entrega individual à liderança pelo time

Foi em meados de 2016, segundo Filgueiras, que ele deixou de ser avaliado apenas pelo próprio desempenho para assumir a gestão de pessoas. Ele descreve essa passagem como uma mudança de natureza, não apenas de função.

"Quando você deixa de ser um contribuinte individual, o teu resultado vem através das pessoas", diz. "Eu não vendo um produto ou um serviço, eu interajo com talentos, eu ofereço talentos para que as empresas possam desenvolver aquela função através de uma pessoa", complementa.

Para Filgueiras, o salto de uma gerência plena para uma cadeira executiva depende menos de técnica e mais de comportamento. Ele resume o desafio como abrir mão da execução direta sem abrir mão da responsabilidade pelo resultado.

Adaptação, não resiliência

Questionado sobre quais habilidades pesam mais para alguém alcançar a alta liderança, Filgueiras cita a capacidade de adaptação como prioridade, em contraposição ao conceito de resiliência.

“Será que é isso que o mercado quer hoje em dia? Eu quero saber o que você aprendeu quando se transformou ou, até mesmo, quando não se transformou diante de um momento em que achou que precisaria mudar”, afirma. 

Ele associa essa mudança a uma transformação mais ampla no exercício da liderança. Na visão de Filgueiras, o comando baseado em autoridade perdeu espaço para uma liderança construída por influência.

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"As pessoas não aceitam mais a ordem, ela quer entender o que faz parte, como o meu trabalho é e realmente atua dentro daquilo", diz.

O que a entrevista ensina sobre gente

Filgueiras aponta a prática de entrevistar candidatos como formadora de sua leitura sobre talento e potencial de liderança. Segundo ele, um processo seletivo bem conduzido revela mais sobre como uma pessoa pensa e se comunica do que sobre o que ela já executou tecnicamente.

"O diferencial de um líder executivo não está apenas no histórico de entregas técnicas, mas na sua estrutura de raciocínio, na capacidade de resolver problemas complexos e na clareza de comunicação"Guilherme Filgueiras, gerente sênior da especialização Randstad Professional

Ele faz referência ao conceito de Golden Circle, do autor Simon Sinek, para explicar a progressão de um profissional: do "o quê" para o "como", até chegar ao "porquê", etapa que associa a posições de diretoria.

Para quem está estagnado na média gerência, Filgueiras recomenda dois movimentos: autocrítica constante e diálogo aberto com RH, gestores e pares para entender as expectativas da empresa. "O mercado hoje exige esse protagonismo. Não é mais a empresa que prepara a liderança", diz.

Liderar como se cada pessoa fosse diferente

Filgueiras também defende que líderes precisam adaptar a forma de comunicação a cada integrante do time, e não impor um estilo único. Ele compara a prática à criação dos filhos, em que cada um demanda de um jeito.

Como exemplo pessoal, cita que é mais produtivo pela manhã, o que seu gestor direto já sabe. "A minha reunião individual com o meu chefe é segunda-feira, às 9 horas da manhã. É assim que a gente consegue ser mais produtivo", conta.

Ao ser perguntado sobre o que diria ao Guilherme que iniciava a carreira como consultor de recrutamento, ele volta ao ponto de partida da conversa: a importância de se conhecer antes de correr atrás de resultados.

"Se eu pudesse falar com esse Guilherme de 15 anos atrás, eu falaria: primeiro, se autoconhece melhor para ver quais são os teus gaps e o que você pode se desenvolver", diz. "O segredo, o primeiro passo, é se autoconhecer", finaliza.

Desenvolver essa régua de liderança, da autocrítica à influência, é o propósito do MBA Executivo da Saint Paul, voltado a heads, diretores e executivos que querem avançar na alta gestão

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