Folarin Balogun e Tarik Muharemovic: atacante dos EUA cometeu falta durante jogo contra Bósnia e Herzogovina (Michael Steele/Getty Images/AFP )
Repórter
Publicado em 6 de julho de 2026 às 10h12.
Última atualização em 6 de julho de 2026 às 10h22.
A polêmica envolvendo a liberação de Folarin Balogun para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 6. A Federação Belga de Futebol recebeu o direito de recorrer da decisão da Fifa que suspendeu a punição automática do atacante dos Estados Unidos, adversário da Bélgica na fase eliminatória.
O recurso será analisado por um comitê criado pela Fifa para avaliar o caso. No entanto, não há garantia de que a análise seja concluída antes da partida entre Bélgica e Estados Unidos, marcada para as 21h (de Brasília).
Segundo a imprensa belga, as federações da Bélgica e dos Estados Unidos tinham até as 9h (de Brasília) desta segunda-feira para apresentar suas manifestações sobre o caso.
A entidade belga, porém, afirma que preparou seu recurso com informações incompletas. Até a noite de domingo, a federação ainda não havia recebido o relatório da decisão da Fifa nem a justificativa para suspender o cartão vermelho recebido por Balogun na partida contra a Bósnia-Herzegovina. O relatório da arbitragem sobre a expulsão do atacante também não havia sido disponibilizado.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Federação Belga de Futebol afirmou que a Fifa criou um procedimento que torna o recurso "mera formalidade" e dificulta sua admissibilidade.
Segundo os belgas, após tomarem conhecimento pela imprensa da decisão de suspender a punição de Balogun, solicitaram oficialmente uma cópia da decisão, a justificativa da medida e esclarecimentos sobre o procedimento adotado.
A federação afirma que, em vez de responder aos pedidos, a Fifa tratou automaticamente a correspondência como um recurso, nomeou um juiz para o caso e concedeu apenas algumas horas para a conclusão da apelação, sem fornecer a decisão fundamentada.
"Enquanto a RBFA apenas procurava esclarecimentos legítimos, a própria Fifa criou um recurso e garantiu imediatamente que este fosse declarado inadmissível", afirmou a entidade em nota.
Pelas regras da Copa do Mundo, o cartão vermelho gera automaticamente uma partida de suspensão, conforme o artigo 10.5 do regulamento da competição.
Mesmo assim, a Fifa suspendeu a aplicação da punição com base no artigo 27 do Código Disciplinar, que prevê que o órgão judicial pode suspender total ou parcialmente uma medida disciplinar.
Em comunicado, a entidade informou que "a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano". Com isso, o atacante ficou liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.
A decisão também provocou reação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que divulgou uma nota oficial classificando a medida como "inédita, incompreensível e injustificável".
Segundo a entidade europeia, a suspensão automática após um cartão vermelho é uma regra objetiva e não deveria ter sido flexibilizada durante a competição. A Uefa afirmou ainda que a medida cria um precedente para o restante do torneio e pode comprometer a integridade esportiva da Copa do Mundo.
No comunicado, a entidade argumenta que outros jogadores expulsos no Mundial cumpriram normalmente suas suspensões automáticas e que abrir uma exceção no decorrer da competição fere o princípio da igualdade de tratamento entre as seleções.
"O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um jogo bonito e inspira confiança, já que é praticado em todos os lugares com as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, se o torneio em questão for a Copa do Mundo, ele tem o poder de gerar consequências positivas ou negativas para o futebol como um todo. Expressamos nossa incredulidade", afirmou a entidade, em nota.