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A odisseia de Messi: do banco em 2006 à última Copa do Mundo em 2026

Seis Copas, um título mundial e 13 gols depois, argentino disputa nos Estados Unidos o provável último Mundial da carreira

Messi: jogador deve participar de sua última Copa do Mundo em 2026 (Montagem/Canva)

Messi: jogador deve participar de sua última Copa do Mundo em 2026 (Montagem/Canva)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 8 de junho de 2026 às 10h19.

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Em 16 de junho de 2006, num estádio em Gelsenkirchen, na Alemanha, um garoto de 18 anos saiu do banco de reservas com a Argentina vencendo a Sérvia e Montenegro por 5 a 0. Tinha 16 minutos pela frente.

O jogador recebeu a bola de Carlos Tevez dentro da área, chutou de pé esquerdo e marcou o sexto gol da partida. Aquele era o primeiro gol de Lionel Messi em uma Copa do Mundo.

Ninguém sabia ainda o que aquele momento representava.

Messi não era titular e usava o número 19. A Argentina seria eliminada nas quartas de final pela própria anfitriã, nos pênaltis. O garoto voltaria para casa sem ter jogado mais de uma hora em todo o torneio.

Vinte anos depois, Messi chega à Copa de 2026 nos Estados Unidos com 39 anos, seis participações em Mundiais, um título e 13 gols em Copas — a três de se tornar o maior artilheiro da história do torneio.

A distância entre aquele banco de reservas em Gelsenkirchen e este momento é a história mais longa e mais dolorosa do futebol moderno.

2006: o garoto que ninguém deixava jogar

A Copa de 2006 na Alemanha foi, na prática, a Copa de Ronaldo, de Zidane e de Rooney.

Messi era uma promessa do Barcelona que o técnico José Pékerman usava com parcimônia. Jogou três partidas, todas sem ser titular.

Marcou um gol, deu uma assistência. A Argentina foi eliminada pela Alemanha nas quartas de final, nos pênaltis. Messi assistiu à derrota do banco.

2010: o peso que começou a crescer

Na África do Sul, Messi era o melhor jogador do mundo — e ganhou a Bola de Ouro de 2009 — e chegou à Copa como o grande favorito individual do torneio, agora sob o comando de Diego Maradona.

Jogou cinco partidas e não marcou um único gol. A Argentina foi eliminada nas quartas de final, novamente pela Alemanha, por 4 a 0.

O peso da comparação com Maradona, que havia conquistado o título justamente na Copa de 1986 no México, começou a se tornar insuportável.

2014: o mais perto que chegou — antes do Catar

No Brasil, Messi carregou a Argentina nas costas até a final. Marcou quatro gols, distribuiu assistências, ganhou o prêmio de melhor jogador do torneio.

Na final, no Maracanã, contra a Alemanha, a Argentina perdeu por 1 a 0, com gol de Mario Götze na prorrogação.

Messi subiu ao pódio para receber o prêmio de melhor jogador com uma expressão que o mundo inteiro leu como derrota. O prêmio individual num torneio perdido parecia uma crueldade.

2018: o fundo do poço

Na Rússia, a Argentina chegou desestruturada, sem projeto de jogo e com Messi isolado.

Na estreia contra a Islândia, desperdiçou um pênalti e o jogo terminou empatado.

O que os amistosos revelam sobre o Brasil e seus adversários na Copa do Mundo

A seleção quase não se classificou para o mata-mata. Nas oitavas, foi eliminada pela França por 4 a 3 numa partida em que Mbappé, então com 19 anos, deu uma aula. Messi marcou um gol em quatro jogos. Parecia o fim.

2022: o título que mudou tudo

No Catar, Messi tinha 35 anos e havia dito publicamente que seria sua última Copa. A Argentina começou perdendo para a Arábia Saudita por 2 a 1 num resultado que chocou o mundo.

Depois disso, não perdeu mais. Messi marcou sete gols em sete partidas, incluindo dois na final contra a França, que terminou 3 a 3 no tempo normal e foi decidida nos pênaltis.

CIDADE DE LUSAIL, CATAR - 26 DE NOVEMBRO: Lionel Messi, da Argentina, observa durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo FIFA Catar 2022 entre Argentina e México, no Estádio de Lusail, em 26 de novembro de 2022, na cidade de Lusail, Catar. (Foto de Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Messi: jogador deve participar de última Copa em 2026 (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Quando a Argentina venceu, Messi caiu no chão do estádio de Lusail e chorou. Tinha 35 anos, cinco Copas e finalmente o único título que faltava.

A frase que lançou a Wout Weghorst nas quartas de final ("que mira, bobo?") circulou o mundo não pela grosseria, mas pelo que revelou: pela primeira vez em 20 anos de Copa, o mundo viu Messi solto, humano, imperfeito e vencedor ao mesmo tempo.

2026: a última dança

Messi chega à Copa de 2026 com uma leveza que as versões anteriores não permitiam. O título de 2022 tirou o peso que carregou desde 2006.

Não há mais nada a provar. O que sobra é a possibilidade de fazer mais e de se despedir num palco que conhece melhor do que qualquer jogador vivo.

Messi vai completar 39 anos no dia 24 de junho, durante o torneio, e precisa de três gols para ultrapassar Miroslav Klose e se tornar o maior artilheiro da história das Copas.

Se chegar à final, vai igualar Cafu como o atleta com mais finais disputadas na história do torneio — três, ao todo. Vai se tornar, ao lado de Cristiano Ronaldo, o único jogador a disputar seis edições do Mundial.

Não disse explicitamente que esta é sua última Copa. A Copa de 2030 será disputada quando ele tiver 43 anos. O silêncio de Messi, até agora, é suficiente.

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