Esporte

Argentina campeã em 2022 ajuda a Espanha na Copa do Mundo 2026?

A Argentina ganhou em 2022. Isso ajuda a Espanha em 2026 — e o Goldman Sachs tem os dados para provar

Argentina: vitória na Copa de 2022 pode indicar vencedor em 2026 (Imagem gerada por IA)

Argentina: vitória na Copa de 2022 pode indicar vencedor em 2026 (Imagem gerada por IA)

Publicado em 1 de junho de 2026 às 05h55.

Existe um padrão na Copa do Mundo que economistas do Goldman Sachs consideram relevante o suficiente para incluir em seu modelo de previsão para 2026.

Desde que o torneio existe, sempre que uma seleção sul-americana vence a Copa, a edição seguinte quase invariavelmente é conquistada por uma equipe europeia. A Argentina ganhou em 2022. Logo, segundo o Goldman, 2026 é da Europa — e da Espanha em particular.

"Nossa previsão está alinhada com o padrão histórico de que a Copa do Mundo quase sempre volta para a Europa depois de ter sido vencida por uma seleção sul-americana", escreveram os economistas liderados por Jan Hatzius em nota publicada na sexta-feira, 29.

O que a história diz

O padrão existe e é mais consistente do que parece.

Desde 1930, quando a Copa do Mundo começou, o torneio foi disputado 22 vezes. A taça foi levantada por apenas oito países. Europa venceu 12 vezes. A América do Sul, 10.

Veja a sequência completa:

  • 1930 — Uruguai (América do Sul)
  • 1934 — Itália (Europa)
  • 1938 — Itália (Europa)
  • 1950 — Uruguai (América do Sul)
  • 1954 — Alemanha Ocidental (Europa)
  • 1958 — Brasil (América do Sul)
  • 1962 — Brasil (América do Sul)
  • 1966 — Inglaterra (Europa)
  • 1970 — Brasil (América do Sul)
  • 1974 — Alemanha Ocidental (Europa)
  • 1978 — Argentina (América do Sul)
  • 1982 — Itália (Europa)
  • 1986 — Argentina (América do Sul)
  • 1990 — Alemanha Ocidental (Europa)
  • 1994 — Brasil (América do Sul)
  • 1998 — França (Europa)
  • 2002 — Brasil (América do Sul)
  • 2006 — Itália (Europa)
  • 2010 — Espanha (Europa)
  • 2014 — Alemanha (Europa)
  • 2018 — França (Europa)
  • 2022 — Argentina (América do Sul)

Das dez vezes em que uma seleção sul-americana venceu a Copa, nove foram seguidas por um título europeu na edição imediatamente seguinte.

A única exceção foi o Brasil de 1958, sucedido pelo próprio Brasil em 1962, os únicos dois títulos sul-americanos consecutivos da história do torneio.

O fator geográfico que complica tudo

Há um contra-argumento histórico relevante que o Goldman Sachs precisa superar em seu modelo.

Das oito Copas disputadas nas Américas — incluindo as edições de 1930, 1950, 1962, 1970, 1978, 1986, 1994 e 2014 — sete foram vencidas por seleções sul-americanas. A única exceção foi a Alemanha em 2014, no Brasil.

A Copa de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Geograficamente, é território americano. E historicamente, esse território favorece a América do Sul.

O Goldman Sachs reconhece o fator geográfico em seu modelo, mas o pondera de forma diferente, dando mais peso ao desempenho recente e ao sistema de rating Elo do que à localização do torneio.

O modelo do banco também analisou aproximadamente 20 mil pontos de dados de partidas internacionais desde 1978, segundo o Asia Business Daily, combinando-os com ratings Elo, força ofensiva e forma recente, variáveis que, no momento atual, favorecem a Espanha independentemente de onde o torneio é disputado.

Por que o padrão existe

A explicação para a alternância entre continentes não é mística, mas estrutural.

Quando uma seleção sul-americana vence a Copa, geralmente o faz com um elenco no auge de sua geração. O Brasil de 1994 tinha Romário e Bebeto. O Brasil de 2002 tinha Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.

A Argentina de 2022 tinha Messi, Di María e uma geração que havia vencido a Copa América de 2021 e de 2024. Gerações dominantes têm ciclos. Quando terminam, abrem espaço para o continente rival.

Do lado europeu, o ciclo atual pertence à Espanha. A seleção venceu a Eurocopa 2024 de forma dominante, tem o elenco mais jovem entre os favoritos — com Lamine Yamal, de 18 anos, Pau Cubarsí, de 18, e Pedri, de 23, e lidera o sistema de rating Elo, a medida mais precisa de força relativa entre seleções.

O título da Argentina em 2022 ajuda a Espanha em 2026 não por superstição, mas porque sinaliza o fim de um ciclo sul-americano e o começo de um europeu. Pelo menos é o que diz o Goldman Sachs. E pelo menos é o que diz a história.

Acompanhe tudo sobre:Copa do Mundo

Mais de Esporte

De Itália ao Chile: veja os países tradicionais que ficaram de fora da Copa do Mundo 2026

Quem é Éderson? Convocado para a Copa soma apenas três partidas pelo Brasil

Ronaldo Fenômeno: a longa estrada até a redenção na Copa de 2002

A odisseia de Messi: do banco em 2006 à última Copa do Mundo em 2026