“Vamos comprar carros elétricos”, diz CEO da Movida para as montadoras

Renato Franklin, que passa a integrar o grupo Liderança com ImPacto, do Pacto Global da ONU Brasil, pretende catalisar as vendas de veículos a bateria
Renato Franklin, CEO da Movida: “Eu falo para as montadoras: nós vamos comprar carros elétricos” (Antônio Teixeira/Divulgação)
Renato Franklin, CEO da Movida: “Eu falo para as montadoras: nós vamos comprar carros elétricos” (Antônio Teixeira/Divulgação)
Por Rodrigo CaetanoPublicado em 08/05/2022 08:00 | Última atualização em 22/06/2022 16:24Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O futuro da mobilidade é elétrico. Mas, para chegar lá, o mercado automotivo precisa de uma “chacoalhada”. “O nosso papel é fomentar essa transição”, afirma Renato Franklin, CEO da Movida, empresa de aluguel de carros que foi a maior cliente das montadoras no ano passado. “Eu falo para as montadoras: nós vamos comprar carros elétricos.”

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Nesta semana, Franklin assumiu uma nova responsabilidade como líder do setor de mobilidade. Ele passou a integrar o grupo Liderança com ImPacto, do Pacto Global da ONU Brasil, braço das Nações Unidas para o setor corporativo. O executivo será embaixador do ODS 13, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU, que versa sobre mobilidade. “O papel da liderança é engajar pessoas, e as empresas têm uma capacidade maior de educar sobre os temas dos ODS”, afirma Carlo Pereira, CEO do Pacto Global.

“A diferença entre ser signatário do Pacto ou não, é que tudo vira obrigação”, diz Franklin. “Não dá para querer fazer só por aparecer, é preciso compromisso.”

CEOs querem melhorar a imagem do Brasil lá fora

Pereira afirma que uma das funções das Lideranças de ImPacto é atuar como embaixador do país no exterior. O Brasil tem muitos exemplos negativos recentes, mas há também os positivos. “O que a Movida está fazendo na área de mobilidade não é trivial”, diz ele.

De início, as montadoras se mostraram tímidas em trazer os modelos elétricos, sob risco de falta de demanda. A Movida, diz Franklin, se prontificou a comprar todos os estoques. “Depois que compramos o Leaf, da Nissan, as importações dobraram”, afirma. “Agora vamos continuar comprando. Financeiramente, não faz sentido no curto prazo, mas é nosso papel fomentar a mudança na indústria.”

Atualmente, a Movida possui carros elétricos de todas as montadoras que atuam no Brasil. A empresa responde por 6,5% do mercado geral de veículos (elétricos e a combustão) brasileiro.

99, Caoa, Movida e outras fazem aliança para desenvolver carros elétricos

Não é só a movida que busca fomentar os elétricos. A 99, de aplicativos de transporte, lidera um grupo de nove empresas — entre elas Caoa Cherry, Ipiranga, Raízen, Unidas e a própria Movida —para impulsionar a infraestrutura para esses veículos no país.

As principais metas com a parceria são: aumentar a participação de carros elétricos para 10% das vendas, criar 10 mil estações públicas de carregamento e ter 100% da frota do app até 2030. O fato de o app ter 750 mil motoristas parceiros em atuação pode fornecer a escala necessária para incentivar a demanda.

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