Brasil

Moraes dá 48h para Jair Bolsonaro explicar se deu aval a vídeo de IA na convenção de Flávio

Consentimento do presidente configuraria descumprimento de medida cautelar, o que poderia levá-lo a uma penitenciária

Vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção do PL (Nelson ALMEIDA //AFP)

Vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção do PL (Nelson ALMEIDA //AFP)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 28 de julho de 2026 às 22h20.

Última atualização em 28 de julho de 2026 às 22h33.

Priorizar nos meus resultados Google

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para que os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmem se o ex-presidente concordou ou não com a exibição de um vídeo com sua imagem feito com inteligência artificial, exibido na convenção nacional do PL que ratificou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

Em sua decisão, o ministro afirma que, caso Bolsonaro tenha dado o aval ao vídeo, configuraria novo descumprimento de medidas cautelares. O ex-presidente está em prisão domiciliar humanitária em Brasília e cumpre pena de 27 anos e três meses de detenção por crimes contra a democracia.

Moraes disse na decisão que, caso Bolsonaro não tenha autorizado a divulgação do vídeo, a divulgação das imagens configuraria desinformação eleitoral passível de punição pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"A eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado", disse o ministro na decisão.

Em 17 de junho, Moraes já havia suspendido a realização de visitas a Jair Bolsonaro por 30 dias, à exceção das visitas de sua equipe de advogados, médicos e fisioterapeutas. Na ocasião, o ministro suspendeu as visitas, também, de Flávio Bolsonaro por 90 dias ao entender que a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente violava as medidas cautelares impostas ao preso.

"Caso se constate que a imagem de Jair Messias Bolsonaro foi utilizada sem sua anuência, para transmitir ao eleitorado a impressão de que pode participar da campanha eleitoral, apesar de estar com os direitos políticos suspensos, a conduta tipificará patente hipótese de desinformação eleitoral mediante conteúdo sintético manipulado, passível de sanções", afirma Moraes.

Nesse caso, a tal conduta "poderá tipificar a denominada 'deep fake', prática expressamente vedada pela legislação eleitoral", diz o ministro. O TSE veda o uso dos chamados deep fakes, em que ferramentas de IA são usadas para criar ou modificar vídeos, fotos e áudios em que rostos e vozes de pessoas são falsificados.

Entenda o caso

No último sábado, 25, durante a convenção do PL que confirmou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência, foi exibido um vídeo criado por inteligência artificial em que Jair Bolsonaro diz estar "preso e calado" e pede que os presentes recebam "de braços abertos" Flávio como seu substituto. O vídeo informa logo no início que se trata de uma simulação produzida com IA.

Parlamentares do PT já se manifestaram junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o vídeo, pedindo uma punição à campanha de Flávio.

Acompanhe tudo sobre:Jair BolsonaroFlávio BolsonaroSupremo Tribunal Federal (STF)Eleições 2026Alexandre de Moraes

Mais de Brasil

Lula diz que Flávio Bolsonaro desrespeita eleitores ao fugir para os EUA após derrota

Por que Lula decidiu não responder a Trump após acusação de fraude na eleição brasileira

União Brasil e PP anunciam apoio à reeleição de Davi Alcolumbre no Senado

Tarcísio reconhece vitória de Lula e diz que 'eleição passou e Brasil continua'