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Universalizar o acesso à energia no mundo até 2030 ficou mais difícil; entenda os motivos

Taxa global permanece estagnada e esforços precisarão mais que triplicar para alcançar objetivos da ONU

Acesso à eletricidade: cerca de 655 milhões de pessoas ainda viviam sem energia elétrica em 2024.

Acesso à eletricidade: cerca de 655 milhões de pessoas ainda viviam sem energia elétrica em 2024.

Publicado em 16 de julho de 2026 às 14h00.

Um dos compromissos assumidos pelos países-membros da ONU nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é o de garantir que até 2030 todas as pessoas tenham acesso à eletricidade com serviços de energia modernos, confiáveis, sustentáveis e acessíveis. Mesmo com avanços significativos nas últimas décadas, os dados mais recentes indicam que o ritmo da eletrificação perdeu força, tornando mais difícil alcançar o objetivo dentro do prazo.

Segundo o “Tracking SDG 7: The Energy Progress Report 2026”, documento feito em conjunto pelo Banco Mundial, Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONU, cerca de 655 milhões de pessoas ainda viviam sem acesso à eletricidade em 2024. Trata-se de aproximadamente 8% da população mundial e indica que o ritmo de expansão da eletrificação desacelerou nos últimos anos.

Grande parte da população ainda sem acesso vive em comunidades remotas, de baixa renda ou localizadas em países afetados por conflitos e fragilidades políticas, especialmente na África Subsaariana. Com 18 países em situação de vulnerabilidade energética, a região concentra a maior parte do problema. Para se ter uma ideia, apenas a Nigéria, a República Democrática do Congo e a Etiópia juntas respondem por cerca de um terço do déficit global. Nesses locais, expandir a infraestrutura elétrica é mais caro e complexo, e muitas vezes, por si só, não é suficiente para garantir que a população tenha acesso à eletricidade.

O crescimento populacional em algumas regiões também tem ocorrido em ritmo superior ao da expansão das novas conexões. De acordo com o relatório, entre 2022 e 2024, por exemplo, o número de pessoas sem acesso à eletricidade diminuiu em um compasso bem menor do que na década anterior, fazendo com que a taxa global de acesso permanecesse praticamente estagnada.

Vale destacar que eletrificar não significa apenas construir infraestrutura, já que muitas famílias enfrentam também dificuldades para pagar pela ligação, pelas instalações internas ou pelas tarifas mensais de energia. Em outras situações, o fornecimento existe, mas apresenta problemas de confiabilidade ou qualidade.

Isso mostra que o conceito de acesso à energia não se limita à existência de uma rede elétrica, já que precisa ser economicamente acessível, disponível de forma contínua e de boa qualidade, capaz de atender às necessidades da população.

O caminho até 2030 exige novos modelos

Alcançar a meta de universalizar o acesso à eletricidade até 2030 exigirá um esforço significativamente maior do que o observado nos últimos anos. O relatório aponta que os investimentos destinados à expansão do acesso ainda estão muito abaixo do necessário e que o padrão atual de eletrificação precisará mais que triplicar, passando para 1,35% ao ano.

Para isso, será preciso combinar investimentos em infraestrutura com políticas públicas que reduzam os custos de conexão, fortaleçam as instituições, ampliem o uso de soluções descentralizadas e criem mecanismos de financiamento capazes para as populações mais vulneráveis.

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