TSMC: empresa anunciou que setor de chips para smartphones diminuiu (Costfoto/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 16 de julho de 2026 às 15h45.
Na era da inteligência artificial (IA), os smartphones têm perdido espaço — é o que indica o balanço da taiwanesa TSMC, a principal fabricante de semicondutores do mundo.
Segundo a empresa, o setor de computação de alto desempenho, voltado para a IA, cresceu 20% em relação ao trimestre anterior e representa 66% da receita total no trimestre, enquanto os chips para smartphone registraram queda de 4% em relação ao trimestre anterior, totalizando um tombo de 22%.
E a TSMC não está sozinha nessa mudança de paradigma. Nos últimos anos, os fabricantes se voltaram em grande parte ao suporte para a computação de IA, o que faz com que menos componentes para consumo (como para PCs e smartphones) fiquem disponíveis no mercado. Assim, os preços dos produtos aumentam.
Uma pesquisa da Omdia aponta que os altos custos de memória se tornaram um fardo principalmente para smartphones de gama média e baixa, com um aumento de 22% nos preços de dispositivos com preço inferior a US$ 400.
Os analistas da firma ainda afirmam que "com base na tendência de preços de memória para os próximos trimestres, os produtos de baixo custo já estão se tornando não lucrativos" e também enfrentam um alto risco de enfraquecimento da demanda à medida que o preço de varejo continua a subir.
Celulares mais caros e de empresas mais consolidadas no mercado, como a Apple e a Samsung devem sentir menos o impacto. A preocupação, apesar disso, se mantém — e a crise já tem até nome: RAMageddon.
RAMageddon é o apelido dado à crise de oferta de memória que começou em 2025 e se intensificou neste ano.
Diferente da escassez de chips de 2020 a 2023, causada pela pandemia, esta tem uma origem estrutural: os fabricantes de memória redirecionaram suas fábricas para atender à IA, deixando o resto do mercado a ver navios.
As memórias afetadas são a DRAM (a memória de trabalho de qualquer computador ou celular) e a NAND flash (usada para armazenamento, como em SSDs). Segundo a consultoria TrendForce, os preços da DRAM subiram entre 90% e 95% no primeiro trimestre, com nova alta projetada de até 63% no trimestre seguinte.
A explicação está em uma escolha de negócios. Os três fabricantes que controlam mais de 95% da produção mundial de DRAM — Samsung, SK Hynix e Micron — passaram a priorizar a memória de alta largura de banda (HBM), usada nos servidores de IA, onde as margens de lucro são muito maiores.
Cada chip de HBM consome mais capacidade de fábrica do que a memória comum, o que reduz ainda mais a oferta para o consumo.
A demanda, por sua vez, é gigantesca. As gigantes Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft devem gastar, juntas, cerca de US$ 650 bilhões em investimentos em 2026 — alta de aproximadamente 67% sobre o ano anterior —, a maior parte em equipamentos de data center.
Hoje, estima-se que os data centers consumam até 70% de toda a memória produzida no mundo, contra os 20% a 30% de poucos anos atrás.
A queda nas vendas já está sendo sentida. Segundo a Counterpoint, o número de smartphones comprados atingiu seu nível mais baixo para um segundo trimestre desde 2013 neste ano.
Praticamente todos os que usam memória. Nas últimas semanas, a lista cresceu:
O efeito vai além do preço.
Para não encarecer demais, alguns fabricantes estão reduzindo a memória dos aparelhos: segundo a consultoria IDC, os celulares topo de linha de 2026 devem manter 12 GB de RAM, em vez de subir para 16 GB, interrompendo o aumento anual que era praxe no setor.