ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Bayer transforma fábrica brasileira em seu maior projeto de descarbonização na América Latina

Gigante global de saúde e agronegócio inaugura nesta quinta-feira, 16, caldeira a biomassa em planta de São José dos Campos (SP), que substitui gás natural e reduz em 40% as emissões da unidade

Fábrica da Bayer em São José dos Campos (SP), onde fica o projeto Vapor Verde, é unidade estratégica do grupo, com foco em herbicidas e sede do hub global GBS Américas (Divulgação)

Fábrica da Bayer em São José dos Campos (SP), onde fica o projeto Vapor Verde, é unidade estratégica do grupo, com foco em herbicidas e sede do hub global GBS Américas (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 16 de julho de 2026 às 11h00.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 11h15.

Uma caldeira movida a biomassa na produção industrial é a nova aposta de descarbonização da Bayer, gigante alemã que atua nos setores de saúde e agronegócio e tem no Brasil sua segunda maior operação global.

Batizado de "Vapor Verde", o projeto foi inaugurado nesta quinta-feira, 16, na fábrica da empresa em São José dos Campos (SP), substituindo o gás natural como principal fonte de geração de vapor da planta que é intensiva em energia.

A estimativa é cortar cerca de 40% as emissões de CO₂ da unidade em relação ao ano base de 2019, ou o equivalente a tirar mais de 5 mil carros de passeio de circulação por ano, segundo cálculo baseado em referência da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

Essa é a maior iniciativa climática da companhia na América Latina, mas não responde apenas para alcançar a meta de neutralidade de carbono até 2030.

"Todos os fatores foram importantes nessa tomada de decisão, mas a prioridade que orientou o projeto foi a redução de impacto", destaca Lígia Izzo, vice-presidente de Operações da Divisão Agrícola da Bayer para a América Latina, em entrevista à EXAME.

Com o petróleo em meio a nova onda de volatilidade por causa da guerra entre EUA e Irã, reduzir a dependência de combustíveis fósseis também virou questão de competitividade: menos exposição a esse tipo de choque no mercado de energia significa mais previsibilidade de custo para a operação no longo prazo.

"Por ser uma operação crítica, que funciona 24 horas por dia, precisávamos de uma fonte que garantisse fornecimento contínuo", explica a VP.

A executiva ressalta que outras alternativas renováveis foram avaliadas antes da escolha da biomassa, que é originada do cavaco de madeira e resíduos da indústria madeireira.

"Fontes intermitentes, como solar e eólica, não atenderiam da mesma forma a essa necessidade", diz. A viabilidade em escala também passou pelo modelo de negócio: a implementação foi feita em parceria com a Ecogen Brasil em um modelo asset-light, no qual a empresa de soluções energéticas investe, instala e opera a infraestrutura, enquanto a Bayer contrata o fornecimento de vapor.

A fábrica por trás do projeto

São José dos Campos não é a maior planta da Bayer no Brasil, mas é uma das mais estratégicas. O complexo, com cerca de 100 mil m² dedicados ao segmento químico e distribuídos em quatro áreas produtivas, tem como foco principal a produção de herbicidas.

A unidade também sedia o GBS (Global Business Services) Américas da Bayer, hub global de serviços compartilhados que dá suporte em ciência regulatória, bioinformática e ciência de dados aplicadas à proteção de cultivos.

A planta completa 50 anos de operação no Vale do Paraíba, no mesmo ano em que a Bayer marca 130 anos de atuação no Brasil.

Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da Bayer na América Latina, argumenta que o peso do projeto na meta global da companhia é relevante mesmo sem a Bayer detalhar o impacto por unidade.

"São José dos Campos é uma das operações mais intensivas em energia na região. Além disso, o Brasil é o segundo maior mercado da companhia no mundo", afirma à EXAME.

Segundo ele, a unidade agora avança nas duas frentes da meta: no Escopo 2 (emissões indiretas ligadas à energia elétrica adquirida), hoje 100% renovável no Brasil, e no Escopo 1 (coberto justamente pelo Vapor Verde).

A meta da companhia é reduzir em 42% suas emissões próprias de Escopo 1 e 2 até 2030, com 2019 como ano-base, validada pela SBTi (Iniciativa de Metas Baseadas na Ciência).

A biomassa reciclada passa a responder por no mínimo 96% da geração de vapor da planta ao longo do ano.

"Nos baseamos em um sistema no qual cada pedaço de madeira tem sua origem verificada, garantindo que estamos de fato transformando um resíduo em energia renovável", acrescenta o executivo.

O modelo já é usado em outras unidades: todos os sites de produção de sementes da Bayer no Brasil utilizam biocombustível para gerar calor em seus processos internos, a partir de resíduos de milho como palha e sabugo em Uberlândia e Itaí, e sabugo em Campo Verde, Paracatu e Cachoeira Dourada.

Segundo Felipe, o excedente de biomassa dessas plantas é direcionado a usos de valor agregado, como nutrição animal, compostagem e produção de fertilizantes peletizados.

Além do biocombustível usado nas caldeiras, a empresa compensa o consumo de energia elétrica dessas plantas por meio de um contrato de geração eólica. Na prática, significa que tanto a energia térmica quanto a elétrica das operações têm hoje origem limpa e não poluente. 

Para Felipe, é essa combinação, e não uma iniciativa isolada, que sustenta a meta global do negócio.  "O Vapor Verde mostra, na prática, que descarbonizar e manter a competitividade andam juntos", diz.

yt thumbnail
Acompanhe tudo sobre:ClimaMudanças climáticasCarbonoEmissões de CO2

Mais de ESG

Prédio corporativo é o primeiro do Brasil a usar 'concreto do futuro' e quer reduzir emissões

United Way dribla desgaste do ESG e aposta no Brasil para ampliar impacto

O próximo El Niño será um teste para a estratégia das empresas

Integração de refugiados em empresas no Amazonas inspira modelo replicado em outras regiões do país