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A proibição de joias em campo que os jogadores driblaram durante décadas

Craques como Pelé, Maradona e Ronaldinho jogaram anos com correntes e colares visíveis antes da regra virar rotina em campo

Pelé erguido pelos companheiros após o título com o New York Cosmos, crucifixo de ouro no peito (Reprodução/Instagram)

Pelé erguido pelos companheiros após o título com o New York Cosmos, crucifixo de ouro no peito (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 16 de julho de 2026 às 15h46.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 15h47.

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Há uma cena que se repete em fotos de décadas diferentes do futebol. Pelé erguido nos ombros dos companheiros depois de um título mundial, crucifixo balançando no peito. Diego Maradona gritando com a camisa da Argentina, duas correntes de ouro presas ao pescoço suado. Paolo Rossi com a Itália, colar duplo visível sob a gola da camisa. Carlos Valderrama parado de mãos na cintura, pulseiras de miçangas nos dois braços e um colar sobre o dez amarelo da Colômbia. Ronaldinho Gaúcho reclamando de boca aberta pelo Barcelona, uma corrente de prata com a letra R pendurada no peito.

Nenhuma dessas imagens é de um vestiário ou de uma entrevista. São todas de dentro de campo, durante a partida, com a bola rolando ou prestes a rolar. Por décadas, jogadores entraram em campo usando joias sem que isso gerasse qualquer problema visível para árbitros ou organizadores.

Uma regra antiga, aplicada de outro jeito

Jogadores de futebol e joias

Ronaldinho Gaúcho com corrente de prata e a letra R pelo Barcelona, ao lado de Maradona pela Argentina, correntes de ouro visíveis sob a gola (Reprodução/Instagram)

A proibição de joias em campo não é uma invenção recente. Ela está prevista na Lei 4 das Leis do Jogo, que trata do equipamento dos jogadores, e existe há muito tempo sob a lógica de que nenhum item pode representar risco ao próprio atleta ou aos adversários. O texto formal que trata do tema como está hoje foi codificado pelo IFAB e pela Fifa em 1997, quando a proibição de colares, anéis, pulseiras, brincos e pulseiras de couro ou borracha ganhou redação explícita nas leis do jogo.

Antes disso, e mesmo por algum tempo depois, a fiscalização variava muito de árbitro para árbitro e de liga para liga. Muitos juízes simplesmente não paravam a partida por causa de uma corrente ou de um anel discreto, especialmente quando o item já estava em campo desde o início e não causava nenhum incidente.

O acidente que mudou a fiscalização

O episódio que costuma ser citado como ponto de virada aconteceu na Suíça, em 2004. Paulo Diogo, meio-campista do Servette, marcou um gol e pulou na grade para comemorar com a torcida. Ao descer, sua aliança de casamento ficou presa no alambrado de metal. O anel quase arrancou por completo o dedo do jogador. Mesmo com a gravidade do ferimento, Diogo recebeu cartão amarelo pela forma da comemoração.

As imagens do acidente circularam como um alerta para ligas em todo o mundo. Depois de 2004, o uso de fita adesiva para cobrir joias e disfarçar sua presença também deixou de ser aceito, e a fiscalização passou a ser mais rígida em competições profissionais.

O ritual da vistoria antes da bola rolar

Jogadores de futebol e joias

Paolo Rossi pela Itália com duas correntes por baixo da camisa, ao lado de Mauro Silva, que jogou anos no Deportivo La Coruña com pulseira no pulso (Reprodução/Instagram)

Hoje, a verificação de joias faz parte da rotina que antecede qualquer partida oficial. Árbitros checam pulsos, dedos, orelhas e pescoço dos jogadores antes de autorizar a entrada em campo. Se um item é identificado, o jogador precisa removê-lo ali mesmo. A recusa pode resultar em cartão amarelo e, na prática, em substituição antes mesmo da bola rolar. A regra também se estende a grampos duros, presilhas e miçangas decorativas usadas em tranças, tratados como joia para fins de segurança.

O que muda para a Copa de 2026

A atualização do IFAB para a temporada 2026/27 mantém a proibição de correntes, anéis, pulseiras e demais joias, mas abre uma exceção específica. Itens não perigosos podem ser usados desde que fixados e cobertos de forma segura, incluindo peças com significado cultural, religioso ou pessoal para o atleta. A regra em si não mudou de direção, apenas ganhou uma linguagem menos rígida para casos particulares.

Fora de campo, a relação dos jogadores com joias segue tão visível quanto sempre foi. Em fotos de chegada ao estádio, em campanhas publicitárias, em entrevistas e em passeios pelo túnel dos vestiários, chaves, correntes e relógios continuam parte da imagem de quem joga. A diferença está apenas nos noventa minutos em que a bola está em jogo, quando o regulamento determina que tudo isso fique de fora.

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