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Pantys: relatório de sustentabilidade reúne indicadores ambientais da operação enquanto marca busca capturar o avanço de um mercado de reutilizáveis estimado em forte expansão no Brasil (Pantys/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 17h25.
A Pantys, fabricante de roupas íntimas absorventes, chega aos nove anos com uma estratégia de crescimento que tenta combinar a expansão do portfólio de saúde íntima com o modelo de produtos reutilizáveis que deu origem à empresa.
Para 2026, a companhia projeta crescimento de 18% e prevê lançar novos produtos, movimento que deve fazer as novidades responderem por 20% a 25% de seu faturamento.
A projeção aparece no Relatório de Sustentabilidade 2025 da companhia, que também reúne os cálculos de impacto ambiental acumulados desde sua fundação. Segundo a Pantys, o uso de seus produtos teria evitado o descarte de mais de 2,3 bilhões de absorventes descartáveis, além de prevenir 97,8 milhões de toneladas de resíduos e mitigar 48,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).
“Nossa estratégia sempre esteve baseada em criar uma nova relação com a saúde íntima, unindo inovação, ciência e sustentabilidade”, afirma Emily Ewell, CEO e cofundadora da companhia.
Apenas entre consumidores que começaram a utilizar produtos da marca em 2025, a Pantys calcula que foram evitadas 3.708 toneladas de CO₂ e 7.416 toneladas de resíduos. Pesquisas internas apontam ainda que cada cliente deixaria de gerar, em média, aproximadamente 105 quilos de CO₂ e 210 quilos de resíduos ao longo de sua jornada de consumo ao substituir descartáveis por reutilizáveis.
Fundada com foco em calcinhas absorventes, a empresa vem ampliando sua atuação. Desde 2022, entrou em sete novas categorias e hoje reúne cerca de 1.200 SKUs, unidades distintas de produtos mantidas em estoque. O movimento busca transformar a companhia de uma marca associada principalmente à menstruação em uma operação mais ampla de saúde íntima feminina.
A aposta ocorre em um momento de expansão da categoria. Dados citados pela companhia, atribuídos à Grand View Research, estimam que o mercado brasileiro de calcinhas absorventes reutilizáveis passe de US$ 2,7 milhões em 2025 para US$ 11,1 milhões em 2033, com crescimento médio anual de 20% entre 2026 e 2033. O Brasil é apontado pela consultoria como o maior mercado da América Latina e também o que cresce mais rapidamente na região.
Globalmente, a Future Market Insights estima que o segmento avance de US$ 180,4 milhões em 2025 para US$ 859,7 milhões em 2035, uma taxa média anual de 16,9%. Paralelamente, segundo os dados apresentados pela Pantys, o mercado de saúde íntima cresce cerca de 12% ao ano.
A expansão do portfólio é uma das frentes usadas pela empresa para capturar esse crescimento. “Nossa estratégia de inovação começa ouvindo quem usa nossos produtos. Transformamos os insights da comunidade e o conhecimento de especialistas em soluções que unem tecnologia, conforto e desempenho”, afirma Maria Eduarda Camargo, COO e cofundadora da Pantys.
Além dos produtos físicos, a empresa também tenta ampliar o relacionamento com clientes pelo aplicativo Saúde dos Ciclos. A plataforma reúne dados do ciclo menstrual, conteúdos desenvolvidos por especialistas e acesso ao portfólio da marca. A meta é alcançar 1 milhão de usuárias ativas até 2027.
Para a Pantys, o aplicativo também funciona como uma fonte de informações para desenvolvimento de produtos, serviços e conteúdos. A estratégia acompanha uma mudança de comportamento apontada pela PwC no estudo Voice of the Consumer 2025, realizado com mais de 21 mil consumidores em 28 países. Segundo a pesquisa citada pela companhia, saúde, bem-estar, transparência e sustentabilidade seguem entre os fatores que influenciam decisões de compra.
Na frente ambiental, uma das iniciativas mantidas pela empresa é o Pantys Circular, programa de logística reversa, sistema pelo qual produtos usados retornam à cadeia de destinação em vez de serem descartados pelo consumidor. As peças recolhidas são destinadas ao coprocessamento, processo que utiliza resíduos na geração de energia, evitando o envio a aterros sanitários.
A empresa afirma também investir em pesquisa e desenvolvimento para aumentar a durabilidade dos produtos e reduzir emissões ao longo da cadeia produtiva. A Pantys diz ser a primeira marca de moda brasileira a adotar uma etiqueta de carbono neutro em suas peças, considerando a medição, redução e compensação das emissões geradas durante a confecção.
Para os próximos ciclos, a empresa pretende concentrar investimentos na entrada em novas categorias, no fortalecimento dos canais de venda, na evolução do Saúde dos Ciclos e em novas colaborações. O desafio será fazer com que a diversificação sustente a projeção de crescimento ao mesmo tempo em que a companhia mantém a proposta de reduzir o uso de produtos descartáveis que esteve na origem de seu modelo de negócio.