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Target: varejista retirou fantasia de Halloween após críticas nas redes. (Kevin Carter/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 13h32.
A Target retirou de suas lojas e do site uma fantasia infantil de Halloween depois que o produto provocou uma onda de críticas nas redes sociais. Consumidores disseram que a peça evocava caricaturas racistas e imagens associadas ao "blackface", quando pessoas brancas se pintam com tinta preta para imitar pessoas negras.
A fantasia era vendida com o nome "Fantasia de Halloween de Palhaço de Circo Infantil que Brilha na Luz Negra", na tradução livre do inglês. A imagem mostrava uma criança negra usando uma roupa colorida em laranja e preto, luvas pretas e uma grande máscara com um sorriso largo.
"Como empresa, sabemos que erramos e sentimos muito", disse a Target em comunicado. A varejista disse que a fantasia era ofensiva, que nunca deveria ter feito parte de seu catálogo e que não está mais à venda.
A companhia também afirmou que o episódio foi especialmente doloroso para seus clientes, funcionários e parceiros negros. A Target disse ainda que está investigando como o produto foi aprovado e o que precisa mudar para evitar que algo semelhante aconteça novamente.
Fantasia gerou polêmica e venda foi suspensa (Reprodução da internet)
O episódio ocorre cerca de um ano depois de a Target reduzir suas iniciativas de diversidade, equidade e inclusão.
A Target não informou quem desenhou a fantasia nem explicou como o produto foi aprovado para venda. A peça era comercializada pela marca sazonal Hyde and EEK Boutique, da própria varejista. Produtos da Hyde and EEK também são revendidos em plataformas como Walmart, Amazon e Etsy.
O Walmart disse não ter conhecimento da venda do item. Amazon e Etsy não se manifestaram.
A nova controvérsia surge em um momento de recuperação da companhia. A empresa vem registrando dois trimestres consecutivos de resultados fortes e começa a colher os efeitos de medidas para reduzir preços e renovar o mix de produtos.
O novo CEO, Michael Fiddelke, também vem recebendo avaliações positivas de Wall Street. Ainda assim, a Target tem menos espaço para erros do que concorrentes como Walmart e Costco, de acordo com o analista da Morningstar, Brett Husslein.
"À medida que a Target começa a ganhar força na recuperação da reputação de sua marca, esse é exatamente o tipo de situação que a empresa quer evitar", conforme Husslein.
A Target já enfrentou outras controvérsias envolvendo fantasias de Halloween. Em 2009, retirou de seu site uma fantasia chamada "Alien ilegal" após reclamações de grupos de defesa dos direitos dos imigrantes.
Em 2016, a varejista também retirou uma "Fantasia de Vovó para Mulheres" depois que a mesma roupa foi vendida por outras empresas com um nome considerado transfóbico. Na ocasião, a Target disse não ter recebido reclamações, mas decidiu retirar o produto "por respeito às preocupações do público".
Outras grandes varejistas também já enfrentaram problemas semelhantes. Em 2015, o Walmart foi criticado por vender uma fantasia infantil inspirada no uniforme de um soldado israelense e uma prótese de látex chamada "Nariz do Sheik Fagin", anunciada como adequada para um sheik árabe.
Em 2017, as britânicas Asda e Tesco retiraram fantasias após reclamações de que reforçavam estereótipos prejudiciais sobre doenças mentais.