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Brasil reduz 31% a área queimada em 2025, mas Cerrado segue liderando

Levantamento do MapBiomas revela que o país queimou 12,7 milhões de hectares no ano passado, o menor volume em anos; Cerrado e Amazônia concentram 86% do fogo desde 1985

Cerrado foi o mais atingido pelo fogo no Brasil em 2025, com 8,7 milhões de hectares queimados

Cerrado foi o mais atingido pelo fogo no Brasil em 2025, com 8,7 milhões de hectares queimados

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 21 de julho de 2026 às 06h00.

Dois biomas respondem por quase tudo o que já pegou fogo no Brasil nas últimas quatro décadas.

Cerrado e Amazônia juntos concentram 86% de toda a área queimada no país desde 1985, em um retrato que ajuda a explicar por que, mesmo em um ano de queda, o primeiro segue liderando.

É o que revela a segunda edição do relatório anual do MapBiomas: o país queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, quase metade do registrado em 2024 e uma redução de 31% em relação à média histórica.

A queda é puxada principalmente pela Amazônia, que teve a menor área queimada da série (3,1 milhões de hectares), exatamente um ano depois de bater o recorde oposto em 2024.

Mas enquanto o bioma amazônico respirou, o Cerrado manteve seu posto de "mais castigado" pelo fogo.

++ Leia mais: Desmatamento cai 17% na Amazônia e área destruída é a menor em oito anos

Foram 8,7 milhões de hectares queimados no ano passado, mais de dois terços de tudo que o Brasil queimou no ano. A liderança vem se repetindo todos os anos por lá: em média, são 9,6 milhões de hectares queimados anualmente, o maior volume entre os biomas brasileiros.

O Pantanal foi na direção contrária e teve o resultado mais expressivo: apenas 121 mil hectares queimados no período, uma queda de 85,6% em relação à sua própria média histórica e a menor área já registrada.

Já a Caatinga foi o único que fugiu à tendência de queda, queimando acima da média e somando 505 mil hectares.

O fogo que volta antes da floresta se recuperar

Além do total queimado, o relatório traz dois dados que revelam que a queda de 2025 está longe de significar que o problema esteja resolvido: a severidade do fogo sobre a vegetação e o intervalo de retorno, ou seja, quanto tempo uma mesma área leva para queimar de novo.

Os números mostram que 64% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 pegou fogo mais de uma vez, e que mais da metade dessas áreas volta a queimar em até quatro anos.

Na Amazônia, esse ciclo é ainda mais curto: 31,6% da área queimada no bioma volta a pegar fogo em até dois anos e o tempo é insuficiente para a floresta se recuperar.

"É um bioma onde a vegetação não é adaptada ao fogo e intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação florestal e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes", destaca Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e do IPAM.

No Cerrado, a dinâmica é diferente: o fogo é parte do funcionamento natural do bioma, mas a frequência também preocupa. Por lá, 66% de tudo já queimou mais de uma vez desde 1985, a maior proporção entre os biomas brasileiros.

"Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação ambiental", diz Vera Laísa Arruda, pesquisadora do MapBiomas Cerrado e do IPAM.

Outro achado é sobre onde o fogo realmente acontece. No Brasil, 71,5% da área queimada desde 1985 ocorreu em vegetação nativa.

Mas essa lógica se inverte justamente nos ecossistemas mais sensíveis: na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo em áreas antrópicas como pastagens já é predominante, respondendo por mais da metade das queimadas.

Queimadas concentradas em três estados

O levantamento também mostra o quanto o problema é geograficamente concentrado. Três estados respondem por 47% de toda a área queimada no Brasil nos últimos 41 anos: Mato Grosso, Pará e Maranhão.

Em nível municipal, 15 cidades concentram 11% de tudo que já queimou no país, com destaque para Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA), que lideram o ranking histórico.

Para Ane Alencar, diretora de Ciências do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo, esse tipo de mapeamento é o que permite orientar ações preventivas e definir as prioridades de forma mais oficiente dentro da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

"Saber onde o fogo é recorrente, com que frequência ele retorna, qual é sua severidade potencial e quais áreas estão queimando mais ou menos é essencial", conclui.

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