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Fábrica da Mondelēz em Pernambuco será abastecida com biometano da Gás Verde

Contrato de três anos garante o fornecimento gradual de até 100 mil metros cúbicos/mês de fornecimento do gás renovável, reduzindo 6 mil toneladas de CO²

Marca famosa pelos chocolates terá sua primeira unidade abastecida por biometano no Brasil (Mondelez/Divulgação)

Marca famosa pelos chocolates terá sua primeira unidade abastecida por biometano no Brasil (Mondelez/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 10 de abril de 2026 às 10h38.

Última atualização em 13 de abril de 2026 às 16h20.

O chocolate que você consome pode ser mais sustentável. A Mondelēz Brasil, dona de marcas como Lacta, Oreo, Bis, Sonho de Valsa, além de Trident e Club Social, firmou uma parceria com a Gás Verde, produtora de biometano. A fábrica da alimentícia em Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, passa a ser abastecida com o combustível 100% renovável.

A unidade será a primeira fábrica da Mondelēz na América Latina a incorporar o biometano em sua matriz energética. De acordo com as empresas, que divulgaram a informação com exclusividade para a EXAME, a expectativa é de evitar a emissão de 6 mil toneladas de CO² equivalente ao longo do contrato, que tem duração de 3 anos. A quantia equivale ao plantio de cerca de 40 mil árvores.

Lais Drezza, gerente de ESG da Mondelēz Brasil, conta que a adoção do biometano na fábrica de Vitória de Santo Antão é parte da estratégia de sustentabilidade da companhia que permeia a operação brasileira. "Trata-se de uma das frentes prioritárias da Mondelēz: a sua jornada de descarbonização e sua busca contínua por matrizes energéticas mais sustentáveis", explica.

O abastecimento será feito a partir da conversão do biogás de um aterro sanitário em Igarassu, Pernambuco, a cerca de 60 quilômetros da Vitória de Santo Antão. Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde, explica que a construção da planta já está em andamento, e que o fornecimento deve progredir ao longo do contrato.

"Devemos oferecer cerca de 50 mil metros cúbicos/mês ao início do contrato, evoluindo gradualmente para 100 mil metros cúbicos/mês", diz.

A evolução no fornecimento, de acordo com o diretor, ocorre porque — apesar da pureza molecular do biometano em relação ao gás natural —, é preciso testar e adequar os equipamentos fabris para receber a nova fonte energética, o que pode demandar algum tempo das companhias. "O biometano é ecologicamente melhor porque sua composição química só conta com o metano, enquanto o gás natural é formado também por propano e butano. Além disso, o primeiro é renovável, enquanto o segundo é de fonte fóssil", conta.

A coleta de biogás e sua transformação para biometano evita que os gases liberados pelos resíduos orgânicos em decomposição nos aterros sanitários sejam liberados para a atmosfera. "Gostamos de dizer que esse é o perfeito exemplo da economia circular", diz Lima.

Energias renováveis

O contrato pelo fornecimento de biometano é, de acordo com o gerente de compras de energia América Latina da Mondelēz, Josué Evangelista, parte de um trabalho inciado em 2023. A equipe levou três anos em análises de mercado e alinhamentos internos até chegar a uma conclusão positiva.

"Conseguimos incorporar à Mondelēz uma solução renovável capaz de substituir gradualmente o uso de combustíveis fósseis", afirma.

A ambição da fabricante é ampliar progressivamente o consumo de biometano na planta em Pernambuco.

Uma das preocupações da Mondelēz era garantir que a estabilidade dos processos e operações fosse mantida. Drezza, gerente de ESG na Mondelēz Brasil, conta que o fornecimento gradual e as pesquisas e testes sobre fontes energéticas entram justamente nessa etapa, preservando a consistência no mix energético.

Lima, da Gás Verde, enxerga na parceria ainda uma possibilidade que beneficia todo o grupo Mondelēz Internacional. A visão é de que ao contribuir com a redução de metas no cenário local, a fabricante alimentícia avança no cenário macro, contribuindo com os objetivos globais e como referência para outras unidades ao redor do mundo.

Crescimento do biometano

Com a construção do polo de biometano em Igarassu, a Gás Verde também cresce em possibilidades de novos mercados. A companhia já garante o fornecimento de 45 mil metros cúbicos/dia de biometano, e a expectativa da empresa energética é de atender uma série de polos industriais naquela região.

"Em um raio de 150 a 200 quilômetros de onde trabalhamos o biometano, conseguimos atingir todos os maiores polos industriais de Pernambuco, o que também permite que possamos atingir outras indústrias", conta Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde.

O planejamento inclui atender possíveis clientes nos polos industriais e financeiros de Suape, Ipojuca, Jaboatão e até a capital Recife. "Estamos nos posicionando na região. Se pudéssemos, teriamos três plantas por ali, porque existe um mercado ativo", diz. A expectativa é de ter 100% do volume contratado até o final deste ano.

Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde, maior fabricante de biometano do país: "Se pudéssemos, teriamos três plantas na região" (Gás Verde/Divulgação)

Metas ESG da Mondelēz

A Mondelēz tem como compromissos globais a redução de 35% das suas emissões em toda a cadeia de valor até 2030 e a chegar a zero emissões líquidas de CO² equivalente até 2050.

Para Drezza, o trabalho representa um avanço estratégico na integração da sustentabilidade ao negócio da fabricante mundialmente conhecida pelos chocolates. "Nosso trabalho reforça que é possível alinhar crescimento, eficiência operacional e redução de emissões", explica.

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