Hoje, a montagem das parreiras nos supermercados funciona quase como um gatilho simbólico para o consumidor: é ali que começa oficialmente a temporada de compras (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 5 de abril de 2026 às 08h05.
Antes de se tornar um dos principais ícones da Páscoa no Brasil, a chamada “parreira” (estrutura que exibe ovos de chocolate pendurados em formato de arco) surgiu como uma solução prática para um problema logístico no varejo.
Segundo Juliana Bonamin, vice-presidente de vendas da Mondelēz International no Brasil, a estrutura foi criada ainda nos anos 80, em uma parceria entre a Lacta e as Lojas Americanas.
“Parece uma lenda, mas é verdade: quem inventou as parreiras foi a Lacta, junto com as Americanas, lá nos anos 80.”
Na época, o desafio era com a exposição do produto. Os ovos de Páscoa eram frágeis, havia muita quebra nas lojas e a exposição dos produtos era limitada, especialmente em um período em que nem todos os pontos de venda tinham infraestrutura adequada.
A solução foi criar uma estrutura suspensa, inspirada em cachos de uva, que organizasse melhor os produtos e reduzisse perdas.
“Eles tinham muitos ovos para vender e precisavam de uma forma de expor melhor,” afirma.
Com o tempo, o que começou como uma necessidade operacional se transformou em estratégia comercial, e, mais do que isso, em um marcador cultural da Páscoa no Brasil.
Hoje, a montagem das parreiras nos supermercados funciona quase como um gatilho simbólico para o consumidor: é ali que começa oficialmente a temporada de compras.
“Quando você entra no varejo e vê a parreira montada, a Páscoa começou”, afirma a executiva.
Mais do que uma solução de exposição, a parreira virou um dos exemplos mais claros de como o varejo brasileiro transformou logística em experiência, e criou um ritual que se repete, ano após ano, nas lojas de todo o país.
Juliana Bonamin, vice-presidente de vendas da Mondelez no Brasil.“Estamos prontos para crescer na Páscoa este ano” (Mondelez Brasil/Divulgação)
A Mondelēz International chega à Páscoa de 2026 com expectativa de repetir, e até ampliar, o desempenho positivo do ano anterior, mesmo em um cenário ainda pressionado pela alta global do cacau.
Depois de crescer 15% nas vendas na Páscoa de 2025 e ganhar participação de mercado com novos produtos, a companhia aposta em três pilares para sustentar o avanço neste ano: inovação, estratégia omnichannel e portfólio amplo de preços.
A expectativa é de um impulso relevante do digital: o e-commerce deve crescer 24% na sazonalidade, reforçando a ambição da empresa de levar o canal online a representar entre 25% e 30% da receita até 2030.
Outro diferencial é a manutenção do volume de produção em um momento em que parte da indústria reduziu oferta por causa dos custos.
“Estamos prontos para crescer na Páscoa este ano”, afirma Bonamin.
A data segue central para o negócio: cerca de 25% do volume anual de chocolates é vendido na Páscoa, o que transforma o período em um dos principais motores de crescimento da operação no país.