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Como essa empresa centenária de cosméticos faturou quase R$ 3 bilhões com sustentabilidade no DNA

Do jardim biodinâmico de São Roque para a Suíça, a Weleda expandiu 7% em 2025 globalmente e ESG é central: "O desafio é crescer com responsabilidade e coerência", diz CEO à EXAME

CEO da Weleda, Maria Cláudia Pontes: "Os investimentos em ESG não são custo — são a base para o crescimento rentável do futuro" (Divulgação)

CEO da Weleda, Maria Cláudia Pontes: "Os investimentos em ESG não são custo — são a base para o crescimento rentável do futuro" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 19 de maio de 2026 às 06h00.

No interior de São Paulo, a 70 quilômetros da capital, a Weleda mantém um jardim biodinâmico em São Roque onde cultiva plantas usadas em seus medicamentos.

Todo ano, cinco toneladas do ativo natural Bryophyllum saem dali para a sede da companhia na Suíça, em um movimento que inverte a lógica de multinacionais no Brasil e revela como a empresa pensa sustentabilidade há mais de 100 anos.

"O ESG é parte estruturante e central do nosso negócio desde o início. É o nosso DNA", afirma Maria Claudia Pontes, CEO da Weleda no Brasil e América Latina, em entrevista à EXAME.

Fundada em 1921 na Suíça, a marca de cosméticos e medicamentos naturais está no Brasil há 64 anos e nasceu com um propósito claro: promover saúde e beleza em harmonia com as pessoas e a natureza.

Em 2025, celebrou vendas recordes no mundo sem abrir mão do seu DNA: faturou 484,6 milhões de euros (cerca de R$ 2,85 bilhões), um crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior.

Para a CEO, o resultado é prova de que sustentabilidade, inovação e competitividade caminham juntas.

"O desafio não é apenas crescer, mas crescer com responsabilidade e coerência", destaca.

O jardim como estratégia natural 

O jardim biodinâmico de São Roque não é um projeto isolado, e sim o ponto de partida de uma cadeia que conecta solo, ingrediente e produto final.

Operado com técnicas que respeitam os ciclos naturais e dispensam agrotóxicos, ele abastece a linha de medicamentos antroposóficos da Weleda no Brasil e, desde 2024, exporta insumos para a matriz suíça. No total, já foram cinco toneladas de Bryophyllum enviadas ao mercado externo.

O modelo reflete uma estratégia maior da marca: ampliar o uso de ingredientes orgânicos e biodinâmicos, fortalecer critérios socioambientais nas compras e avançar em rastreabilidade ao longo de toda a cadeia.

"Mais do que atuar dentro da operação, o próximo passo está em construir soluções viáveis em escala", diz a CEO.

100 anos de propósito, resultados que avançam

Em 2025, a Weleda entregou avanços na agenda de sustentabilidade. Globalmente, a companhia chegou a 81% de matérias-primas orgânicas — com meta de superar 80% de ingredientes orgânicos e biodinâmicos —, 7% de componente biodinâmico, 77% de material reciclado nas embalagens primárias de cosméticos e 97% de eletricidade proveniente de fontes renováveis em suas próprias operações.

Outro destaque foi a conquista de mais de 95% dos cosméticos certificados nos mais altos padrões naturais. No Brasil, 97% dos resíduos são reutilizados por meio de compostagem, reciclagem ou recuperação.

A empresa também é B-Corp, certificação concedida pelo Sistema B que audita impacto e atingiu 120,66 pontos, um crescimento de 13% em relação à última verificação. Além disso, integra a B Corp Beauty Coalition, grupo global que reúne gigantes de beleza certificadas com a missão de elevar os padrões socioambientais do setor.

No próximo ciclo do plano que vai de 2026 a 2030, a Weleda aprofunda ações em embalagens de menor impacto, circularidade, logística reversa, reuso de água, tratamento de efluentes e metas climáticas que miram a neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2040 e no escopo 3 (cadeia de fornecedores) até 2050.

"O impacto precisa ir além das paredes e muros do negócio. Gerar valor social e ambiental conectado aos territórios onde atuamos é uma diretriz que carregamos para o novo ciclo", afirma a CEO.

Diversidade que começa na liderança

A estratégia ESG da Weleda não se resume ao ambiental. No pilar social, bem-estar, saúde emocional e diversidade são um compromisso.

A meta de superar 60% de liderança feminina caminha junto com iniciativas que colocam as pessoas no centro das decisões.

Maria Claudia é, ela mesma, parte dessa agenda. À frente da operação brasileira desde 2016, assumiu em seguida a América Latina, e integra o LeaderShe, projeto que oferece suporte e inspiração para mulheres no setor farmacêutico.

Um século depois, a Weleda seguindo como começou: com a terra, as pessoas e o propósito no centro do negócio.

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