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Petrobras amplia participação no pré-sal, mas levanta questionamentos

Especialista vê ganho estratégico para a estatal, mas critica caráter fiscal e baixa concorrência do leilão

Consórcio formado por Petrobras e Shell arrematou jazidas em leilão com baixa concorrência (Getty Images/Getty Images)

Consórcio formado por Petrobras e Shell arrematou jazidas em leilão com baixa concorrência (Getty Images/Getty Images)

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Publicado em 5 de dezembro de 2025 às 20h25.

Petrobras elevou sua participação nas jazidas de Mero e Atapu após arrematar, sem concorrência, os direitos e obrigações da União no Leilão de Áreas Não Contratadas da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), realizado em 4 de dezembro. A operação, que movimentou mais de R$ 8,7 bilhões, reforça a presença da estatal em dois dos campos mais relevantes do pré-sal.

Pelos lances vencedores, o consórcio formado por Petrobras (80%) e Shell (20%) adquiriu 3,5% pertencentes à União na jazida compartilhada de Mero, enquanto em Atapu Petrobras (73,24%) e Shell (26,76%) compraram 0,95% da fatia pública. Os valores serão pagos em dezembro de 2025, com assinatura dos contratos prevista até março de 2026. A empresa informou que o desembolso já estava programado em seu Plano de Negócios 2026-2030.

Para o economista Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a expansão da Petrobras nesses ativos reforça a estratégia de longo prazo da companhia. “É uma decisão acertada. São campos grandes, com produção crescente, e a empresa já estava neles. Faz sentido consolidar sua posição”, analisa.

Apesar disso, Pires avalia que o leilão não foi motivado por razões setoriais. “Esse leilão foi feito para resolver um problema fiscal do governo. Não tem nada a ver com a política de óleo e gás”, disse. Ele lembra que as expectativas oficiais de arrecadação foram sendo reduzidas — de R$ 14 bilhões para R$ 10 bilhões — até chegar aos pouco mais de R$ 8 bilhões efetivamente obtidos. “O governo errou no preço. Se fosse tão atrativo, outras empresas teriam participado”, pondera.

Recursos

Segundo o economista, a baixa concorrência também refletiu o fato de que Petrobras e Shell já estavam profundamente envolvidas nos projetos. “Elas não podiam deixar entrar outro operador. Se não houvesse o leilão, não teriam necessidade de gastar esse dinheiro”, argumenta. 

O leilão foi viabilizado pela Lei n.º 15.164/2025, que autorizou a União a alienar direitos e obrigações de acordos de individualização de produção em áreas não concedidas ou não partilhadas. A mudança, segundo Pires, abre espaço para novos movimentos da PPSA, mas o destino dos recursos preocupa. 

“O dinheiro não deveria cobrir um buraco fiscal. Deveria ser direcionado à segurança pública, educação, saúde. Caso contrário, ele simplesmente desaparece”, afirmou. “Estamos vendendo um patrimônio que é de todos os brasileiros para resolver um problema de caixa.”

Para os próximos anos, o economista avalia que o governo terá de definir com clareza se pretende continuar a recorrer a leilões desse tipo. Enquanto isso, Petrobras e Shell ampliam sua presença em dois dos projetos mais relevantes do pré-sal, consolidando posições estratégicas em um momento em que a estatal reafirma sua prioridade na reposição de reservas de óleo e gás com resiliência econômica e ambiental.

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