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Petrobras considera reduzir plano de investimentos, diz agência

Previsão de investimentos é acompanhada de perto pelo mercado, em função dos dividendos

Petrobras: preço internacional do petróleo pode fazer plano ser repensado (Agência Petrobras/Divulgação)

Petrobras: preço internacional do petróleo pode fazer plano ser repensado (Agência Petrobras/Divulgação)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 13 de novembro de 2025 às 18h10.

Última atualização em 13 de novembro de 2025 às 18h11.

A Petrobras (PETR4) avalia reduzir o volume de investimentos previsto em seu próximo plano estratégico para 2026-2030, em meio a queda dos preços do petróleo e ao cenário de maior oferta global da commodity. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a estatal considera fixar os aportes em torno de US$ 106 bilhões no novo plano quinquenal, valor inferior ao projetado anteriormente.

O valor considerado pela administração representaria uma queda de 4,5% em relação aos US$ 111 bilhões divulgados no ano passado para o período de 2025 a 2029. No início de setembro, já circulavam informações sobre um possível corte US$ 8 bilhões no capex da estatal.

A possível revisão reflete a preocupação da Petrobras em ajustar suas projeções às novas condições do mercado, marcado por pressões sobre margens e incertezas quanto ao ritmo de recuperação da demanda mundial por energia. O plano atualizado deve ser divulgado no dia 28 de novembro.

Ainda conforme a Bloomberg, as discussões estão em andamento e o número final pode ser modificado.

Dividendos

A previsão de investimentos da Petrobras é acompanhada de perto pelos investidores, pois tem relação direta com a proporção de capital que retornará aos acionistas via proventos (dividendos e juros sobre capital próprio). No entanto, a estatal já afirmou este ano que dividendos extraordinários são improváveis ​​devido à desvalorização nas cotações do petróleo.

De acordo com o Itaú BBA, a projeção atual de investimentos da Petrobras para o próximo ano é de US$ 19,6 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 15,9 bilhões (81%) já estão sancionados e, portanto, não podem ser adiados ou realocados. Com isso, o banco destaca que o espaço para otimização do capex em 2026 concentra-se em projetos não sancionados, totalizando US$ 3,7 bilhões.

Na análise de sensibilidade do banco, assumindo Brent a US$ 65 por barril e capex de leasing de US$ 3,5 bilhões, reduzir o investimentos para menos de US$ 17 bilhões seria suficiente para equilibrar geração de caixa e pagamento de dividendos, permitindo que a Petrobras financie ambos sem aumentar a dívida bruta.

Já os analistas da Jefferies afirmaram à Bloomberg que veem espaço para uma redução de 5% a 10% no orçamento de investimentos de capital para o período de 2026 a 2030, o que deve ajudar a manter o dividendo anual da estatal entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões “em um cenário de petróleo Brent entre US$ 60 e US$ 70”.

A Petrobras disse na semana passada que não está considerando alterar seu teto de endividamento de US$ 75 bilhões nem sua política de dividendos.

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